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Tabagismo: a maior praga do século XX

 

Edmundo Blundi, ilustre pneumologista paulista, radicado no Rio de Janeiro, ao comentar os males do tabagismo, disse certa feita, com razão, que, em nome dos mortos por esta praga, era preciso lutar cada vez mais, de maneira obstinada, sem temor, apelando para aqueles que, por definição, são obrigados a zelar pela saúde do povo.

A obstinação da verdade tem o gosto da grandeza humana, referiu muito bem Camus e a hist6ria julgara, então, a insensatez dos homens.

O melhor cigarro e aquele que nunca foi fumado. Um cigarro a menos, um beneficio a mais.

Sempre me coloquei ao lado daqueles que lutam contra o tabagismo, combatendo com a única arma que um medico sem poder, pode dispor, a palavra. Jovens principalmente, vem sendo iludidos por uma propaganda muito bem conduzida pelas multinacionais do fumo, denominadas por Blundi de "multinacionais do câncer", as quais invadem o infeliz e explorado 3° mundo.

Esta definitivamente comprovado que o fumo provoca bronquiolite, bronquite crônica, enfisema e câncer do pulmão, alem de problemas coronarianos que podem levar a isquemia do miocardio. As mulheres que fumam como os homens também morrem como os homens que fumam. Numerosos relatórios científicos, inclusive os da Organização Mundial da Saúde, são taxativos: o fumo e o maior responsável pelo câncer do pulmão. O chamado "carcinoma epidermoide" e o tumor típico do fumante, sendo o benzopireno o agente cancerígeno mais potente encontrado no cigarro. Em conseqüência do fumo, morrem nos Estados Unidos mais de 360.000 pessoas por ano, cerca de 1.000 por dia, 40 por hora e 0,7 cada minuto. o Senador Robert Kennedy, em 1967, afirmava que a industria fabricante de cigarros e apregoadora de arma mortal, jogando com a vida humana, em troca de grandes lucros financeiros. No Brasil, de cinco em cinco minutos, morre um brasileiro fumante ( Carta de Salvador, 1979).

Estudos retrospectivos e prospectivos mostram de maneira evidente que o risco de um fumante morrer por câncer do pulmão e 14 vezes maior que o de um não-fumante. Em autopsias de fumantes, as altera90es encontradas na arvore bronquica e tecido pulmonar consistem fundamental mente na perda do epitelio bronquico, inflama9ao da parede, bronquiolite, macr6fagos ricos em pigmento marrom, edema, fibrose e hiperplasia epitelial.

Com toda sua imensa autoridade, o Prof. Edmundo Blundi assinala que muitos países ja descobriram que gastam mais com as doenças resultantes do tabagismo do que recebem com os impostos. A Previdência Social e o Ministério da Saúde deveriam levantar a grande bandeira na luta contra o tabagismo. Do contrario seremos uma Naçao de doentes do pulmão. E nobre abra9ar a causa do sofrimento humano.

o Prof. Blundi, e tantos outros colegas ilustres, estao no bom caminho, assistindo diariamente os que respiram mal pela ação nociva do fumo, levando-os a asfixia, vitimas do enfisema pulmonar, condenados pela omissão de muitos. Valem aqui as palavras do mestre e sábio Manoel de Abreu: enquanto muitos tocam flauta a margem do grande rio da vida, outros assemelham-se a personagens mitológicas, investindo heroicamente contra a doença e contra a morte.