Viagem pelo Brasil

A 13 de dezembro de 1968, comemorou-se o 10 centenário de falecimento do sábio Kar1 Fredrich Philipp von Martius, ilustre botânico fa1ecido em Munique, na Baviera. A 14 de julho de 1817, em companhia de Johann Baptist von Spix (zoólogo), von Martius chegava ao Brasil, na fragata "Austria", junto a uma comitiva científica, acompanhando a arquiduquesa Maria Leopoldina que vinha para unir-se em matrimonio ao príncipe D. Pedro de Bragança e Bourbon, herdeiro do trono de Portugal. Os dois naturalistas, homens de inteligência privilegiada, foram incumbidos de estudar a botânica, a zoologia, a mineralogia e a etnologia da terra brasileira, o que fizeram com elevado zelo. De 1817 a 1820, viajaram pelo Brasil, percorrendo as províncias de São Paulo e Minas, chegando até os limites de Goiás; visitaram, depois, a Bahia, parte da província de Pernambuco, Piauí e Maranhão, e subiram, por fim, o Amazonas.

Desta viagem levaram para Munique, além de objetos etnográficos, enorme quantidade de espécies vegetais e animais. Nos anos de 1823 a 1831 pareceram em Munique, os três volumes monumentais de Reise in Brasilien (Viagem pelo Brasil). Desejando comemorar o 10 centenário de falecimento de von Martius (1794-1868), a Companhia Melhoramentos resolveu, em boa hora e num trabalho dos mais louváveis, editar parte da obra monumental de von Spix e von Martius. Ela  contém excertos e as principais ilustrações do monumental trabalho desses sábios naturalistas e amigos do Brasil. Evocando a figura de von Martius lembra-se ao leitor brasileiro de hoje, numa síntese antológica, a profundidade de sua obra, valiosa contribuição trazida, há quase século e meio, para a cultura científica de nosso país.

Souberam von Spix e von Martius descrever com extrema precisão a feição física do nosso território, como os seus costumes, a vida intelectual e burguesa dos habitantes, construindo-se "Viagem pelo Brasil", no dizer do Prof. Herbert Baldus, uma das fontes mais ricas da história natural e cultural do nosso país.

Em 1824 era publicada em Londres uma versão inglesa da referida obra, sob o título "Travels in Brazil". Em 1938 aparecia no Rio de Janeiro, o traba1ho integral, em português, traduzido por Lúcia Furquim Lahmeyer, anotada por Basilio de Magalhaes e intitulada Viagem pelo Brasil, versão esta reeditada pela Companhia Melhoramentos de São Paulo.

O texto da presente edição foi baseado na tradução  original de Lúcia Furquim Lahmeyer, revista por B.F. Ramiz Galvao e Basilio de Magalhaes, segundo versão de Ernesto Winkler.

Herbert Baldus, em bela introdução, prefaciou esta magnífica edição, enriquecida com excelentes gravuras, de grande valor artístico, van Spix (1781-1826), falecendo prematuramente, só participou da redação do  volume de Viagem pelo Brasil. Von Martius, botânico dos mais renomados, autor da Flora Brasiliensis, estudou, também, os índios do Brasil, sendo mesmo considerado o fundador da etnolagia brasileira. Tinha por nossa terra grandes afeições e, provavelmente, nenhum outro escritor estudou mais a fundo um país estranho do que o sábio bávaro. O Brasil era por ele verdadeiramente amado, como se fosse "sua segunda pátria". A clássica narrativa da expedição de Spix e Martius é acompanhada por uma coleção de canções índias e neobrasileiras e por outra de  excelentes gravuras, cuja explicação se encontra no fim ou no começo dos respectivos volumes. Em muitas delas, registra com razão o Prof. Baldus, o valor artístico rivaliza com a importância documentária.

Finaliza a presente edição, um texto baseado em artigo de Aureliano Leite, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que é um resumo explicativo da obra.

Feliz e oportuna a idéia do lançamento deste belo livro, que poe a disposição do leitor uma ampla visão das diferenças dos meios, dos fatores de progresso, tanto físico como de ordem cultural e formadora dentro de um país de tão complexa estrutura demográfica como o nosso.