O flagelo dos acidentes de tránsito, epidemia evitável

"Saúde do Mundo", (outubro de 1975), danos a publicidade um número especial sobre o grave problema dos acidentes de transito e as medidas propostas para a coordenaçao de todos  os esforços no sentido de melhorarmos a segurança do tráfego rodoviário.

Os acidentes de transito sao verdadeiramente alarmantes em todas as partes do mundo, conduzindo a morte milhares e milhares de pessoas. Ferimentos graves podem levar homens, mulheres e crianças a quadros neurológicos graves e irreversíveis, exigindo depois longo programa de reabilitação para as suas vítimas.

Custo jamais poderá descrever, por si só, a profunda e constante tragédia dos acidentes de transito. Todavia, se este problema for atacado com métodos semelhantes aos que se utilizaram contra as grandes doenças mortais, poder-se-á fazer desaparecer a atual epidemia de morte nas ruas e estradas, da mesma forma que as epidemias de peste bubônica e varíola foram eliminadas em quase todo o mundo. N as iniciativas de prevenção de acidentes rodoviários, é essencial considerar-se o com¬portamento do usuário das estradas e os processos psicológicos, fisiológicos e patológicos que os influenciam. A vigésima Sétima Assem¬bléia Mundial da Saúde manifestou a crença de que, talvez, mais nesse campo do que em outros, a eficácia das soluções requer a colaboração dos esforços de agentes e organizações internacionais, autoridades nacionais, regionais e locais e os chamados "cidadãos do mundo".

Os acidentes de trânsito fazem anualmente pelo menos 250.000 vítimas nas rodovias do mundo. O "assassino das estradas" precisa, pois, ser frontalmente combatido. Infelizmente, a ignorância a respeito das verdadeiras causas dos acidentes rodoviários parece ser ainda geral. Recentes pesquisas realizadas na Europa revelam que a opinião da maioria dos motoristas a respeito de aspectos bastante simples do problema não correspondiam aos fatos reais. Quarenta e quatro por cento dos entrevistados levavam as medalhas de São Cristóvão e 35% acreditavam piamente no seu poder de proteção contra acidentes. É elevado o preço que a sociedade paga pelo transporte rápido e moderno. No primeiro ano da crise do petróleo, quando foi necessário diminuir o tráfego, impondo-se também limites de velocidade, por razoes de ordem econômica, ocorreu súbita queda no número de ferimentos e mortes por acidentes rodoviários. É possível, nos dias de hoje, aperfeiçoar os métodos ditos até de científicos para reduzir a morte ou os ferimentos nas ruas e estradas. A atitude fatalista deve ser frontal mente combatida, utilizando-se os cintos de segurança, evitando-se o emprego de bebidas alcoólicas (álcool e direção não se misturam) e de drogas psicotrópicas, levando-se sempre em consideração que os fatores humanos estão na raiz da maioria dos acidentes com veículos automotores. A mortalidade máxima em acidentes rodoviários ocorre no grupo etário dos 15 a 25 anos, de tal modo que a redução precoce em matéria de segurança rodoviária poderá contribuir para "imunizar" as crianças contra os riscos do tráfego. As mulheres São mais cuidadosas que os homens, ao dirigir, razão pela qual, em Londres, no transporte urbano, elas São logo aceitas, porque suportam melhor as agrura s do tráfego, com todas as emoções que esta profissão acarreta.

Enfim, este flagelo social precisa ser enfrentado, inclusive entre nós, traçando-se urna política de ação da qual participem as autoridades públicas e toda a comunidade. Esta "epidemia sobre rodas", resultante em sua maioria de falhas humanas, precisa ser combatida, criando-se então urna "consciência rodoviária". No final desse número de "A Saúde do Mundo", São publicadas as fotografias de algumas personalidades famosas vitimadas em pleno vigor dos anos por acidentes rodoviários, tais como a rainha Astrid, da Bélgica; Pierre Curie, premio Nobel de Física, em 1903; o ator James Dean; o escritor frances Albert Camus e Isadora Duncan, a legendária bailarina americana. Os leitores desta crônica certamente se recordarão de outras vítimas devendo também contribuir para o controle dessa "epidemia evitável".