Bactérias mimetizantes são aquelas que "tomam os hábitos, o colorido ou a estrutura de outro organismo ou do ambiente".
Em 1939, De Bord publicava um trabalho no qual referia a descoberto de um germe isolado de casos de uretrite e que, morfologicamente, muito se assemelhava ao gonococo.
Posteriormente, outros isolamentos foram descritos, desta vez a partir de casos de vaginites, conjuntivites e meningites. Através somente de ex ames microscópicos, a bactéria isolada por De Bord assemelhava-se ao gonococo, mas em culturas ela sofria evidentes modificações morfológicas, com predomínio de cocobacilos, bacilos e até de longos filamentos. Procurando classificar tais bactérias, aquele pesquisador descreveu a triboMimeae, designaçao escolhida porque tais bactérias pareciam mimetizar as Neisserias. Três gêneros foram então incluídos por De Bord (1942) na triboMimeae, de acordo com suas atividades bioquímicas: Mima, Herellea e Colloides.
A posição sistemática desse grupo de bactérias tem sido muito discutida, propondo alguns autores a denominação genérica Acinetobacter para nele incluir todas as espécies da tribo Mimeae.
Em 1962, Geraldo Kroeff de Farias, em tese apresentada a Faculdade de Farmácia da Universidade do Rio Grande do Sul, para concorrer ao título de docente-livre da cadeira de Microbiologia e Imunologia, estudou minuciosamente 16 amostras de microrganismos pertencentes a este grupo de germes isolados de casos clínicos diversos: otite, vaginite e meningite, principalmente.
A atividade patogênica dessas bactérias tem sido muito discutida. O certo é que elas vem sendo isoladas com relativa freqüência de numerosos quadros clínicos e, em alguns casos, seu papel patogênico para o homem não pode ser contestado. De Bord descreveu um caso típico de meningite provocado pela Mima polymorpha. Outro relato de extrema importância pelo lado epidemiológico é o descrito por Townsend (1953), quando dois soldados, companheiros de alojamento apresentaram subitamente um quadro clínico de meningite. O primeiro veio a falecer após 5 horas do aparecimento dos primeiros sintomas, apresentando o quadro clássico da chamada síndrome de Waterhouse-Friederichsen (meningococcemia fulminante). O exame "post¬mortem" revelou a presença de Mima polymor¬pha, enquanto que do segundo doente foram isolados, do líquor e sangue, amostras do mesmo microrganismo. Camundongos, cobaias e coelhos mostram-se sensíveis a açao de tais bactérias.
"In vitro", o antibiótico que melhor agiu nas amostras estudadas por Kroeff de Farias, foi a clortetracic1ina, seguindo-se as outras tetra-ciclinas. O trabalho dos mais completos, realizado pelo Dr. Kroeff de Farias, merece ser lido pelos bacteriologistas, principalmente por aqueles que exercem funcoes no domínio da bacteriologia médica. Com efeito, as bactérias da tribo Mimeae, quando presentes em material de secreção uretral e vaginal e no líquor, podem simular morfológica e tintorialmente o gonococo e meningococo. Quando, porém, se cultivam tais germes, verifica-se seu acentuado pleomorfismo. De modo geral, os meios sólidos de cultura favorecem o aparecimento de formas cocóides ou diplocócias, ao passo que em meios líquidos ocorre predominância de formas bacilares e filamentosas.
"Estudos sobre a tribo Mimeae (De Bord, 1942), tese de autoria do Prof. Geraldo Kroeff de Farias, é um trabalho excelente, com contribuições das mais valiosas sobre um grupo de germes que vem assumindo importância crescente em patologia médica.