Em 1968, em Berlim, o prémio Robert Koch foi outorgado ao Professor Heinz Stolp pela descoberta de uma nova bactéria predatória, possuidora de capacidade lítica e capaz de desempenhar, no futuro, importante papel na explicação de certos problemas ou fenômenos biológicos.
No decurso de experiências destinadas a isolar bacteriófagos (vírus de bactérias), o Prof. Stolp em 1962 conseguiu identificar uma bactéria possuidora de flagelo, extremamente móvel, a que deu o complicado nome de Bdellovibrio bacteriovorus. Trata-se do único parasito bacte-riano auténtico conhecido, possuindo a excepcional capacidade de atacar células bacterianas vivas, obtendo pela lise os elementos necessários a sua subsisténcia. Esta bactéria está dentro dos limites de visibilidade do microscópio óptico comum. A microscopia eletrónica, verifica-se que a bactéria assemelha-se a uma vírgula, a um vibrião, com um único flagelo. A extremidade da célula que fica defronte ao flagelo apresenta certas estruturas que são importantes para a fixação do parasita a célula hospedeira. Ela funciona como um verdadeiro sanguessuga e é através desse mecanismo insólito que o Bdellovíbrio consegue os alimentos necessários ao seu metabolismo e a sua proliferação.
Não há dúvida alguma que estamos diante de uma grande novidade em Bacteriologia, com a descoberta de uma bactéria predatória, com flagelo, que se agarra a parede celular de uma célula hospedeira e que a consome em pouco tempo. Esta bactéria faz parte da microflora natural do solo e das águas e sua existência está condicionada a presença de outras bactérias. Quando ela ataca a sua "vítima", agarra-se a sua "presa" e através de um "impacto balístico" perfura a parede celular, penetrando então no seu interior. As inter-reações entre o parasita e o hospedeiro podem ser observadas ao micros-cópio de contraste de fase, na medida em que se trate de processo cinético e de alterações morfológicas e estruturais. O espectro de atividade é em geral muito maior no Bdellovibrio do que nos bacteriófagos. As bactérias preferidas São as Pseudomonas, enterobactérias em geral e outros microrganismos Gram-negativos. Inofensivas ou patogénicas são elas lisadas da mesma maneira.
Não se conhece ainda o processo bio-químico desta lise. Logo que o Bdellovibrio penetra na bactéria hospedeira, esta se modifica, arredondando-se pela formação de esferoblastos, desintegrando as estruturas rígidas da parede celular, constituída de mucopeptídeos que dão forma e solidez a célula. Não há dúvida alguma de que esta bactéria desempenha importante papel nos fenômenos microbiológicos do meio ambiente, como verdadeiros elementos saneadores, bem como na dinâmica das populações bacterianas normalmente presentes no solo e água.
O futuro dirá se tais bactérias poderão eventualmente ser utilizadas na luta contra bactérias patogenicas ou indesejáveis e, portanto, no seu aproveitamento com fins terapêuticos.
De qualquer modo estamos diante de um micróbio com características predatórias das mais interessantes e que vem merecendo a cuidadosa atenção principalmente de investigadores alemães. Maiores referencias podem ser obtidas em trabalho publicado por Stolp na revista Naturwissenschafte, 55:57-63, 1968.