Cirrose Hepática

O Dr. Luiz Caetano da Silva, chefe da Seção  de Hepatologia do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, médico-assistente da Enfermaria Geral do Hospital das Clínicas e membro integrante do Instituto de Gastroen-terologia, acaba de publicar pela Sarvier excelente monografia sobre cirrose hepática, seguindo-se a doença reumática, de autoria do Prof. Luiz V. Décourt. Trata-se de mais um volu¬me da série de Monografías que o Prof. Décourt pretende publicar, oferecendo a classe médica do país textos realmente orientadores, pre¬parados por docentes altamente qualificados e com uma larga experiência no manuseio das entidades estudadas.

A monografia em apreco foi prefaciada pelo Prof. José Fernandes Pon¬tes, clínico dos mais renomados em nosso meio, chefe de uma grande escola e verdadeiro homem de ciência que subsiste em suas ações e em suas criações. Foi esta uma justa, bela e oportuna homenagem prestada pelo antigo discípulo a seu antigo mestre. Há na beleza desse gesto, a idéia da continuidade de ação  que anima os grandes feitos e a significação  simbólica, que mostra não morrer de todo quem subsiste no espírito de uma obra comum e na prossecução  de um ideal inalterado. Assim, como o pai se revé no filho, o mestre se sente, hoje, prolongado no discípulo.

A presente monografia vem, na realidade, preencher uma lacuna na literatura médica, não só nacional, como internacional. Durante mais de 15 anos, Luiz Caetano da Silva vem estudando sob vários aspectos a cirrose hepática, acumulando valioso material, tornando-se um dos mais credenciados especialistas brasileiros. Sou testemunho do seu esfor90 e de sua dedicação  a pesquisa, no Instituto de Medicina Tropical, onde exerce, a meu convite, a chefia da Divisão de Hepatologia reunindo um valoroso grupo de colegas interessados em problemas clínicos e imunológicos referentes a esquistossomose mansónica.

A cirrose hepática representa a fase ou etapa final de vários processos mórbidos, a maioria dos quais de etiopatogenia desconhecida. Doença grave, numerosas investigações vem sendo realizadas para um melhor conhecimento e esclarecimento de suas causas. Felizmente, muita coisa já se definiu no campo da fisiopatologia e da terapêutica desta doença, particularmente de su as complicações, como a ascite, a hipertensão portal e o coma hepático.

"Agredido" por causas diversas, o fígado, muitas vezes, no decurso de processos crônicos, mal tratados, apresenta-se fibrosado, com desorganização  de sua estrutura lobular e aparecimento de nódulos e septos conjuntivos, trazendo então, no seu conjunto, graves alterações circulatórias, tais como estase e hipertensão portal, bloqueio ao nível das veias hepáticas e anastomoses porto-sistémicas intra e extra-hepáticas. Na clássica "cirrose de Laennec" o processo fibrótico acomete difusa e totalmente a grande víscera. Infelizmente, não conhecemos ainda todas as causas capazes de provocarem este processo.

Estabelecido o diagnóstico de cirrose é preciso avaliar o estado funcional do processo. Para o grande público é muito importante conhecer alguns dos fatores conhecidos como importantes na gênese da cirrose, para sua prevenção . O alcoolismo cronico, as hepatites