Deficiência mental

Stanislau Krynski e outros eminentes colegas publicaram pela Livraria Atheneu S.A. (1969) excelente volume sobre "Deficiência Mental", um dos maiores fatores de limitação  da capacidade que aflige hoje a humanidade. Ela é considerada como um dos maiores problemas no que concerne a saúde, educação  e bem-estar de uma Nação . Entretanto, somente no período que sucedeu a 2da Guerra Mundial é que surgiu um esforc;o conjunto no sentido do desenvolvimento de novos programas e da ampliação  da assistência aos deficientes mentais. Ligas e associações diversas tem sido criadas no sentido de amparar as crianças retardadas.

No Brasil, Stanislau Krynski tem desempenhado papel de relevante importância no estudo científico do deficiente mental. O presente livro, por ele organizado, com a colaboração  de mais 25 colegas atesta, de modo eloqüente, o seu real interesse por este tema, de significativa importância médica e social. Muitos dos que contribuíram para a feitura deste livro dedicaram parte de sua vida ao problema da deficiência mental e desejam agora, através do  mesmo, comunicar sua experiência e suas dificuldades, na certeza de que dia virá em que ele será visto entre nós com o destaque que merece e enfrentando de maneira mais corajosa e eficaz. A deficiência mental, assinala Krynski, constitui estatisticamente, uma das mais importantes enfermidades crônicas da infância. Somente as doenças mentais, as cardio-vasculares, o câncer e o reumatismo tem prevalência sobre esta condições mórbida.

Não se tratando de moléstia única, mais sim um complexo de síndrome s das mais diversas etiologias, com quadros clínicos diferentes, mas com um único denominador comum traduzido pela insuficiência intelectual, o problema da deficiência mental envolve aspectos os mais diversos, desde o biológico-médico, até questoes sociais, de legislação , de previdências social, etc. Do ponto de vista científico somente há poucos anos, este problema tem despertado a tenção  do meio médico. Genetecistas, pediatras, neuropsiquiatras, bioquímicos e outros especialistas tem enfrentado aspectos diversos da deficiéncia mental ou do retardamento mental, que também recebe as denominações de oligofrenia, imbelicidade, idiotia, hipofrenia e apoucamento mental.

Em 1962 o grande Presidente Kennedy decidiu, de maneira corajosa, enfrentar o problema, instituindo nos estados Unidos, uma ComisSão Presidencial encarregada de colher, por todo o mundo, subsídios para o que iria ser o Plano Nacional de combate a Deficiência Mental, apresentando também problemas as recomendações básicas ao estudo do tema, para que uma nova formulação  fosse dada ao mesmo.
No Brasil, as Associações de Pais tem estimulado os mais diferentes grupos e forcas sociais para a assistência aos excepcionais, destacando-se também o trabalho das sociedades Pestalozzi, procurando desenvolver ao máximo as potencialidades da criança, por menores que elas sejam, através da educação .

A Organização  Mundial de Saúde calcula que 1 a 3% da população  é constituída por deficientes mentais (formas profundas, severa, moderada e leve, de acordo com o quociente intelectual). No caso, os deficientes são incapazes de se beneficiarem de qualquer tipo de tratamento, de treinamento ou de educação . Necessitam assistência por toda a vida. Felizmente, 85% dos pacientes apresentam a forma denominada leve, exigindo assistência adequada - médica, psicopedagógica e social.

Não é fácil o estabelecimento das bases etiopatogénicas de um caso de deficiência men-tal, tanta silo as "vertentes" genéticas, culturais, físicas, emocionais e ocasionais a serem consideradas e estudadas no "perfil pessoal" de cada paciente. Qualquer que seja a causa da deficiência o importante, no dizer de Clarke é a prevenção  primária desta condição  ou, então, a melhoria desta subnormalidade mental onde seja possível, através de recursos biológicos, sociais ou educacionais.

Devemos mobilizar a opiniao pública do país para este grave problema, transmitindo principalmente as camadas mais desfavorecidas da população  as medidas profiláticas para a prevenção  desse distúrbio. E é preciso, também, amparar a família do deficiente, sem esquecer suas dificuldades e os impactos emocionais que possam sofrer. Agindo no campo médico, social, econômico e cultural, estaremos contribuindo de modo decisivo para a luta contra a deficiência mental em nosso meio. O livro que acaba de ser publicado por Krynski e colaboradores merece todos os elogios e representa contribuição  das mais valiosas ao estudo desse tema que apaixona a Medicina de nossos dias.