Demografia Médica

 "Demografia Médica", também denominada "Demografia Sanitária" ou "Dinâmica da população em relação com a saúde pública", é um ramo da Demografia que intervém na Medicina e na Saúde Pública, relacionando-se com as mesmas diretas ou necessariamente.

O Prof. Luís Alejandro Angulo-Arvelo, da Venezuela, acaba de publicar pequeno mas oportuno e valioso volume sobre "Esquemas de Demografia Médica" (Imprensa Universitária, Caracas, 1968), no qual aborda em vários capítulos temário dos mais interessantes sobre diversos aspectos da Demografia Médica.

Demografia é a ciência da população, senda constituída por um carpa de doutrina que lhe é próprio ou específico e um outro de ciência e métodos auxiliares, tais como a Bioestatística, a Estatística geral, a Antropologia, Sociologia, Economia, Psicologia social, Geografía Humana, História Matemáticas, Ecologia, Genética, Etnologia, etc.

A população, em geral, engloba diversos aspectos fundamentais, tais como o número de habitantes, o crescimento (movimento demo-gráfico), a composição etária e a sua distribuição.

O número de habitantes calcula-se habitualmente cada 10 anos, através de censos; a relação entre o número de habitantes de um país e certos fatores a ele relacionados, tais como território, área cultivada, economia, etc. denomina-se "densidade de população". Na definição de Williams, "Superpopulação é a condição que existe quando os números crescem sem o correspondente progresso na educação, na saúde e no desenvolvimento econômico; com efeito, processa-se um crescimento em quan-tidade, sem um progresso na qualidade".

Toda a população evolui quantitativamente, através do chamada "movimento demográfico" que, por sua vez, deriva de quatro fatores fundamentais: a natalidade, a imigração, a mortalidade e a emigração.
Na Venezuela" o Prof. Angulo-Arvelo assinala que a situação se identifica com o que Thompson denominou de 2a etapa, isto é, um crescimento exorbitante devido a elevada mortalidade de um povo civilizado, com natalidade de um país primitivo.

Quanto a composição da população por idade e sexo, no caso da Venezuela os dados colhidos revelam uma situação muito des-favorável, o chamado "infantilismo demográfico", bem analisado por Gabaldon, antigo ministro de saúde daquele país. Assim, possivelmente nenhum outro país do mundo experimentou um exemplo semelhante ao da Venezuela na década de 1950 a 1960: quase a metade da população está abaixo dos 15 anos, "fenômeno" inteiramente desconhecido na história da humanidade no século XX. Os habitantes com idade inferior a 15 anos ou superior a 65 constituem o grupo chamada de "população economicamente passiva" (50% do país).

Em seu apreciado livro, o Prof. Angulo-Arvelo estuda as populações urbanas, suburbanas e rural, as migrações, a urbanização e a ruralizaçao, mostrando-se os critérios que devem diferenciar uma população urbana de uma rural. É grande, também, na Venezuela, a chamada "população marginal", constituída dos chamados ranchos (favelas, do Rio; callampas, de Santiago; vilas-miséria, de Buenos Aires e slums, dos anglo-americanos).

Problema da maior atualidade diz respeito a chamada "explosão demográfica", com a ruptura do equilíbrio entre a natalidade e a mortalidade. Ele se manifesta pelo crescimento violento e não controlado de uma população com conseqüentes implicações econômicas e sociais.