Día da Enfermeira

Comemora-se, a 12 de maio, em todo o mundo, o dia da enfermeira, o anjo tutelar dos doentes, compadecendo-se dos males do próprio, ajudando-os a suportar os seus sofrimentos, com o alívio de sua presença sempre agradável e até certo modo, reparadora da saúde.

A enfermeira, como o médico, ao prestar o seu juramento, o de cuidar com zelo e amor, da saúde de seus semelhantes, assume o compromisso de atuar em sua vida de acordo com os direitos excepcionais que Ihe foram conferidos. Relembramos neste dia algumas figuras heróicas e lendárias de enfermeiras que tanto dignificaram a sua profisSão, acolhendo os fracos e os enfermos, numa sublime lição  de despren-dimento e solidariedade humana.

A Bahia nos deu Ana Neri, a cachoeirana excelsa que abandonou o sossego do lar, dirigindo-se para o campo de batalha na guerra do Paraguai, transformou-se no justo dizer do Prof. Almeida Prado, na mãe de todos os soldados feridos. Foi ela a precursora, entre nós, da Cruz Vermelha Brasileira. É um grande no me a insculpir-se com letras de ouro nos anais da nossa caridade. Em 1922, a Universidade do Brasil dava a sua Escola de Enfermagem o nome desta heroína, a mulher que primeiro praticou, ao clamor das batalhas, o dever de acudir os feridos, com indómita coragem e admirável solicitude.

Nascida na bela e doce Itália, destaca-se Florence Nightingale, verdadeira heroína do bem. Estudou em Londres e Edimburgo, recebendo a inf1uenCÍa de duas irmãs de São Vicente de Paulo, as quais lhe prepararam o aprendizado do rigor da disciplina na enfermagem hospitalar. Na guerra da Criméia, de 1854 a 1855, partindo para o Oriente, num barracao-hospitalar, em Sartari, com um grupo de 38 damas enfermeiras, acudiu a milhares de feridos.

Na Inglaterra, lembramos a figura de Edith Louisa Cavell, a heroína da guerra de 1914. Aprisionada pelos alemães, foi fuzilada a 12 de outubro de 1915, acusada de proteger e ajudar a fuga dos prisioneiros aliados. A Prança eterna, também, contribuiu para o calendário histórico da enfermagem, através de Genevieve de Galard, cumprindo, na Indochina, exemplar atividade.

Vivem as enfermeiras, como nós médicos, do sofrimento humano, exercendo o mais santo dos apostolados, aquele que se realiza junto as dores e as misérias humanas, fazendo lourejar pelas estâncias da vida os reflorescimentos da saúde e abrindo na espessura da desesperança larga brecha para a claridade benéfica das consolações.

Profissão que exige acentuada vocação , enfermeira dedicada é aquela que infunde a seu s doentes amor, confiança e esperança, tudo fazendo para diminuir a soma total da desgraça humana.

Nesta cronica, como antigo professor da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, enalteço o trabalho silencioso e desprendi-do das enfermeiras de todo o mundo, congratulando-me por ocasião desta data festiva com minhas antigas alunas, todas elas exercendo a sua profissão com um devotamento sem par, que requer uma sublimidade de intenção que só os predestinados pelo amor ao próximo conseguem realizar.
Elas terão a sua recompensa ao ouvir no dia da eterna retribuição, o agradecimento do Senhor: "Estava enfermo e me visitaste". Continuem todas seguindo a eterna mensagem de Cristo que falou de amor e de caridade. Aliás, isto é o que está realmente no fundo da moral desta nobre e bela profissão e que lhe confere valor eterno.