Frutas comestíveis da Amazónia

Por ocasião do XII Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, realizado em Belém (Pará), recebemos por gentileza do Dr. Habib Fraiha Neto, organizador daquele conclave, livro dos mais interessantes (2a edição) sobre "frutas comestíveis da Amazônia", de autoria do Dr. Paulo B. Cavalcante, pesquisador do Museu Goeldi localizado na bela capital paraense.

Trabalho sério, ricamente ilustrado, houve por bem, o Dr. Fraiha Neto, em reeditá-lo para distribuir aos congressistas, por se tratar, realmente, de um primor da literatura científica regional. Durante a noite folclórica oferecida aos tropicalistas brasileiros, ao lado das danças regionais, fez-se uma exposição parcial, mas bastante representativa da cozinha amazônica: o tacacá, o açaí e uma grande variedade de frutas comestíveis de que é extraordinariamente pródiga a região e cujos "vinhos" e sorvetes, já contados em prosa e verso, constituem o deleite do turista, orgulho dos paraenses e tema predileto dos emigrantes daquela porção da terra brasileira. Em Belém, do Pará, a mangueira assume destaque especial, como planta cultivada, de início na arborização das avenidas, ruas e praças, conferindo-lhe paisagem característica, o que valeu a capital paraense o epíteto de "cidade das mangueiras". Hoje, esta árvore frutífera é cultivada em abundância em todo o Estado, sendo da maior importância na alimentação das classes  populares. Notável é o número de variedades e formas de mangas em todo o Pará, desde a "comum", predominando na arborização da cidade até o "bacuri", de casca amarela, polpa abundante, macia e pouco fibrosa.

Na introdução de seu trabalho, Cavalcante (1976) salienta as pesquisas de Huber (1904), o maior conhecedor da botânica amazônica, e que no início deste século abordou sobretudo a origem e a distribuição geográfica das principais árvores frutíferas do Pará. Muitos outros botânicos se preocupam com este assunto. A idéia da publicação do catálogo de frutas indígenas e aclimatadas na região, surgiu quando, percorrendo as feiras e mercados da capital em zonas interiores do estado, o autor notou a ocorrência de um considerável número de espécies frutíferas ainda não classificadas e familiarizadas somente a um grupo limitado de pessoas. A flora amazônica, apesar de considerada a mais rica do mundo, permanece ainda a espera de maiores investigações que permitam um conhecimento mais preciso de seus inúmeros produtos e respectivo aproveitamento.
Quem visita Belém, tem que saborear os sorvetes de frutas tropicais - o açaí, o araçá, o bacuri, o caju, o cupuaçu, a graviola, o jambo, o maracujá, o tamarinho e a tangerina, entre outros.

O açaí é uma das primeiras frutas mais características do Pará, verificando-se sua maior ocorrência em terrenos de várzea, de igapó e também na terra firme, encontrando-se, as vezes, em formações quase puras, ocupando ao lado do buriti, o primeiro lugar na fisionomia da paisagem.
A recente visita a Belém, proporcionou-nos verificar, também, o seu grande progresso, destacando-se vários de seus centros de pesquisa,
principalmente o Museu Goeldi e o Instituto Evandro Chagas. Lá nasceu, entre outros, o grande pesquisador brasileiro Gaspar Vianna, nome intimamente ligado a história da leishmaniose tegumentar.