História da penicilina e aniversário

Aniversário da Penicilina

Em 1929, Sir Alexander Fleming, bacteriologista do Hospital Santa Maria, de Londres, publicava seu revolucionário trabalho, descrevendo as atividades bacteriolíticas de um produto elaborado por "humilde cogumelo" do ar atmosférico, denominado penicilina, pois o fungo que elaborava o referido metabólito, pertencia ao gênero Penicillium, espécie notatum. Tal descoberta não teve aplicação  prática imediata. Dez anos mais tarde, Florey e Chain isolaram o antibiótico, passando o mesmo a ser utilizado no início da Segunda Grande Guerra mundial. Em 1944, obtido por Moyer e Coghill o ácido 6-amino-penicilíinico, tornou-se possível a produção das penicilinas semi-sintéticas, com novas e melhores propriedades que as penicilinas ditas naturais.

Cinqüenta anos São passados e, em que pesem os efeitos colaterais deste fármaco, inclu-sive com centenas de casos de morte por choque anafilático, os benefícios por ela trazidos foram de tal grandeza que ofuscam, de muito, suas atividades iatrofarmacogénicas.
Fleming, Florey e Chain conquistaram o prêmio Nobel por esta famosa descoberta e o eminente bacteriologista inglês, ao falecer, em 1955, teve o seu corpo enterrado na catedral de São Paulo, em Londres, cercado do respeito e da admiração  de todo o mundo.

Estava aberta a nova era dos antibióticos, termo utilizado em 1889 por Paul Vuillemin e, mais tarde, conceituado por Waksman, em 1942, como substancias químicas específicas derivadas ou produzidas por organismos vivos, geralmente microscópicos, capazes de agir como "tóxicos seletivos", em pequenas concentrações, inibindo os processos vitais de outros seres. Constituem os antibióticos o grupo de fármacos que se prescreve com maior freqüência e os problemas conseqüentes ao receituário, correto ou não, de tais anti-microbianos e antineoplásicos São bem conhe¬cidos da classe médica e até dos leigos. No entanto, o impacto da descoberta da penicilina foi extrãordinário, possibilitando a medicina sair do estado do "nihilismo terapêutico", no caso das doenças infecciosas, para uma terapêutica específica, com o controle de numerosos processos parasitários. 

Hoje em dia, tudo mudou. Conforme assinalou recentemente Hélio Vasconcellos Lopes, em matéria de antibióticos, acompanhamos uma verdadeira "bola de neve", em contínuo crescimento. É impossível ao médico atual izar-se no campo da antibioticoterapia.
Os novos antibióticos lançados no comércio ou em fase de experimentação são, em sua maioria, derivados obtidos por meio de modificações químicas efetuadas em antibióticos já existentes, visando melhor tolerância, menor potencial de toxicidade, ampliação  do espectro de a90, etc.
Alguns antibióticos, conhecida sua estrutura química, passaram a ser sintetizados pelo homem, como o cloramfenicol, conhecendo se, também, o seu ex ato mecanismo de ação . Apareceram as amostras de germes resistentes aos antibióticos e infelizmente a "política" de aplicação desses fármacos não sofre restrição alguma, já que todos receitam e aplicam antibióticos.

No momento em que se comemoram cinqüenta anos de descoberta da penicilina, procuremos valorizar os antibióticos, com aplicação  correta dos mesmos, na vigência de indicações válidas e pertinentes. SÓ assim, diminuiremos também, os riscos de uma antibióticoterapia desordenada e sem critérios adequados de aplicação.

A notável descoberta de Fleming foi uma das conquistas que mais marcaram o progresso da medicina nestes últimos decênios. É pre¬ciso, porém, uma pausa para meditarmos sobre as contradiçoes que estamos criando, neste e em outros setores da medicina, para que possamos sempre melhor servir a humanidade.