O Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia

Tivemos a oportunidade de assistir, em Antuérpia, um simpósio dos mais importantes sobre "Política de Saúde nos Países em Desenvolvimento", revendo aquela bela cidade, com o seu O famoso "Instituto de Medicina Tropical", criando em 1906, localizado inicialmente em Bruxelas.

Destinava-se o mesmo, naquela época, a preparar os médicos belgas para exercer suas atividades cm vários países da África. Recentemente, o Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia estendeu seu trabalho de campo para a Bolívia, implantando em Santa Cruz de la Sierra, um Centro de Patologia Tropical.

 

Ao lado do Instituto, em Antuérpia, com excelentes laboratórios de pesquisa, encontra-se a Clínica "Léopold II", com 42 leitos, recebendo pacientes procedentes de áreas tropicais.

Cerca de 14 unidades ou laboratórios integram o Instituto de Antuérpia. Recentemente, foi organizado um Serviço de Nutrição e um outro de medicina veterinária tropical.

Anualmente, realizam-se cursos de especialização em patologia tropical para médicos, veterinários, enfermeiras e sanitaristas, sendo muito estrita a colaboração com os Institutos de Medicina Tropical de Amsterdam e de Leyden, na Holanda. No campo da enfermagem, o Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia mantém urna Escola em Ayos (Camerum). Vários hospitais africanos São dirigidos por médicos belgas, especializados no Instituto de Antuérpia. Assim, os hospitais rurais em Kasongo e Kindu São, praticamente, supervisionados por médicos e enfermeiras com larga vivencia em problemas relacionados a patologia tropical.

Sendo Antuérpia um dos maiores portos da Europa, com o intenso tráfego aéreo e marítimo de nossos dias, as chamadas "doenças tropicais" acometem freqüentemente homens de negócio, enfermeiras, médicos ou excursionistas que permanecem trabalhando principalmente na África. Graças aos trabalhos desenvolvidos pelo Prof. R. Vanbreuseghem, micologista do Instituto de Medicina Tropical "Príncipe Leopold", é que se individualizou, por exemplo, a "histoplasmose africana", provocada pelo Histoplasma duboisii, batizado com este nome, em homenagem a um eminente tropicalista belga, o Prof. Dubois.

    Casos  de "doença de sono (tripanosomíase africana), de oncocercose e de outras formas de filariose, de esquistossomose, de hanseníase, de várias formas de micoses superficiais e profundas, de malária e outras protozooses São hoje de observação cada vez mais frequente nos países da Europa Ocidental, constituindo-se na chamada "patologia de importação" ou "patologia exótica".

O que desejo ressaltar nesta crónica é que os países africanos solicitam freqlientemente a cooperação do Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia para a solução de graves problemas sanitários que ainda existem naquele imenso território.

Condições bioclimáticas especiais, aliadas a ausencia de urna infra-estrutura sanitária, a alimentação deficiente e a habitações desumanas, favorecem a alta incidência de helmintíases (geo e biohelmintíases), da malária, da hanseníase, de diarréias bacterianas principalmente em crianças.

Nossa recente visita a Antuérpia permitiu¬nos rever a antiga cidade, com toda a sua beleza,
bem como um dos mais antigos Institutos de Medicina Tropical do velho mundo, que tantos serviços vem prestando ao bem-estar da humanidade.