Patologia das Construções

Interessado pelo estudo das doenças iatrogénicas ou iatrofarmacogénicas, as 'provocadas pelos médicos no exercício de seu nobre mister e que se traduzem por quadros clínicos os mais variados, verifiquei também que no campo da engenharia a "patologia das , construções é riquíssima em desmoronamentos  de prédios, viadutos, pontes e muros, por erros, do calculista, material utilizado de má qualidade e outros fatores, tal como ocorre no campo da Medicina". Se o termo iatrogenia está hoje , consagrado - na Grécia antiga os médicos ensinavam a sua arte no atrium, descrito sob o , nome de "oficina médica" no livro de Hipócrates, ao que saiba, não existe um verbete , para designar a "patologia" que arquitetos, engenheiros e mestres de obras pode m eventualmente provocar.

Com o intuito puramente académico, tendo em vista o vocábulo iatrogénico, Prof. Francisco Antonio Lacaz Netto, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica acaba de lançar um neologismo para designar os desmoronamentos provocados por erro de cálculo, uso indevido de material ou desleixo no trabalho. Laciogenico foi o neologismo proposto. No volume II de Humanidades (1975), justifica seu autor o referido vocábulo, assinalando que os romanos deram sempre grande desenvolvimento a tecnologia das construções e, nesta área, ultrapassaram os gregos.

Assim, com Agripa, no ano 19 a.C. realizou Augusto vários trabalhos planejados por Júlio César, iniciando a abertura da célebre rede de estradas que, do Fórum, ligava Roma a todas as regiões do mundo então conhecido. Para divulgar o poder e a grandeza de Roma, Augusto mandou erigir, num dos pórticos da cidade a carta esférica do mundo, trabalho de Pola, irmão de Agripa. Otávio, sobrinho e filho adotivo de César, com auxílio de Agripa e Mecenas, na  Idade Ouro da literatura latina, conseguiu também, realizar a prosperidade material de Roma, enriquecendo-a de momentos - uma cidade de mármore, além de organizar-lhe o serviço de águas, com aquedutos extensos, magníficos balneários e as famosas termas que assombravam a todos pela sua grandeza.

Indiscutivelmente foi na Engenharia que os romanos manifestaram seu gênio peculiar. Nas construções em pedra e alvenaria - fortificações, pontes, arcos, templos, colunas, teatros e anfiteatros, numerosos e imponentes, apareceram novas formas arquitetónicas, como o arco e a bóveda. Esta última surge, no tempo de Augusto, com o grandioso Panteon, aperfeiçoase na época de Adriano e atinge o seu esplendor, na Segunda Igreja de Santa Sofia, em Constantinopla, sob o governo de Justiniano. Este apanhado feito por Lacaz Netto justifica o termo laciogenia, pois todos sabemos que o mundo romano, entre os antigos, era o agreste Lácio.

Latiun deriva do verbo lateo, es, ui, ere - estar escondido, por causa do desaparecimento de Saturnia Tellus, desceu as profundezas da Terra e por isso até é considerado, também, como divindade inferior. Em ligeiros traços, aí vão as razões do novo neologismo, que me parece válido, como iatrogenia. É provável que alguns cultores da lexicologia venham a contestar o novo verbete. De qualquer modo, seu autor quis homenagear a Itália única e imortal, lá, ande "la vita é tutta bella", sempre perpétua, que vive no coração de todos os brasileiros e em cuja capital se ajoelham os peregrinos da fé e da beleza. Nesta hora muitos acenos me atrae m aquela terra-mae que o Petrarca louvou "del mondo la piu bella parte", fazendo ressurgir aos meus olhos as doces visões da Itália eterna, uma a uma todas as cores do seu céu, uma por uma todas as vozes da be1eza e do génio.