O poder terapéutico dos animais e a teoria do macaco aquático

O elo perdido

As teorias apresentadas pelos caçadores de fósseis ilustram ficomo a especialização pode algumas vezes estreitar o horizonte. Esses especialistas aparentemente não sabem nada sobre as teorias de Alister Hardy, que desenvolve a idéia de que o homem pode descender de um primata aquático. Por que eles nunca mencionam essa teoria, ou pelo menos não dão suas razões para descartá-la?

Os poucos paleoantropólogos que mencionaram a teoria aquática preferiram evitar qualquer análise séria e escreveram apenas algumas frases sobre isso. Glynn Isaac, por exemplo, considerou a hipótese aquática "improvável ou impossível", mas acrescentou que "é divertido manter isso na lista". J. Gowlett considerou isso "apenas um caminho um pouco menos longo do que os extraterrestres de Erich von Daniken".

Ao se fazer um arquivo das teorias atuais sobre a evolução humana, não se deve esquecer que "o campo já teve uma cota suficiente de problemas de temperamento".

Até recentemente era um fato aceito entre os especialistas de fósseis que a linha humana se desligou da dos outros primatas muito precocemente, cerca de 15 milhões de anos atrás. Supunha-se que o chimpanzé, o gorila e o orangotango fossem muito próximos uns dos outros. O Ramapithecus, cujos fósseis foram encontrados na maior parte na Eurásia, foi considerado o pri-meiro hominídeo.

Durante as duas últimas décadas os cientistas desenvolveram novos métodos de datar as rochas, usando a transformação de potássio radioativo em um gás inerte chamado argônio. Também houve aperfeiçoamento na observação dos cromos somos e na análise de características bioquímicas, como a dos grupos sangüíneos, ácidos nucléicos e proteínas. Examinando os aminoácidos que compõem as proteínas, pode-se avaliar em que período houve uma divergência entre as diferentes espécies animais. Em outras palavras, é possível avaliar a extensão das relações familiares numa escala evolucionária. Com esses métodos pode-se alegar, por exemplo, que um homem e um chimpanzé têm grosseiramente o mesmo grau de relação familiar que um cavalo e uma zebra, mas estão mais próximos do que um cão e uma raposa. Mesmo que esses métodos não sejam exatos, eles ainda são precisos o bastante para estabelecer que o orangotango e o Ramapithecus estão num mesmo ramo, que divergiu de um tronco comum 10 a 15 milhões de anos atrás.

Darwin sabia que a vida nas ilhas tende a acelerar o processo de evolução. Foi nas ilhas Galápagos, no Pacífico, que ele coletou a grande quantidade de informação que sustenta sua teoria sobre a origem das espécies.

Acredito que exista uma ligação entre o dilúvio na Etiópia, que provavelmente destruiu muitas plantas e espécies animais, e as diferentes variações da lenda do dilúvio. Na Bíblia, o dilúvio foi uma grande inundação que cobriu a Terra na época de Noé. Toda criatura viva foi destruída, com exceção das preservadas na arca. Outra conhecida lenda sobre o dilúvio é encontrada no épico de Gilgamesh, um longo poema acádico, composto por volta de 2000 a.c. sobre a fútil indagação dos seres humanos a respeito da imortalidade. Incapaz de aceitar a morte, Gilgamesh vai até Utnapishtim, o correlato babilônico do Noé bíblico. Utnapishtim conta que recebeu o segredo de sua imortalidade graças às circunstâncias especiais da inundação. Ele conversa com Gilgamesh a respeito de uma planta espinhosa que cresce em Apsu, as águas doces subterrâneas, que conferem vida eterna. Gilgamesh mer-gulha no fundo das águas e pega a planta, mas, quando está viajando de volta para casa, uma cobra come a planta; assim, são as cobras, não os seres humanos, que têm vida eterna. Achei essa lenda inspirada nas estruturas mais primitivas do cérebro humano, as assim chamadas reptilianas, que alcançam seu desenvolvimento durante o período intrauterino, dentro do líquido amniótico. Será que o cérebro reptiliano é a base do sentido religioso, de uma visão do universo que transcende o tempo e o espaço?

Essas duas lendas famosas sobre o dilúvio são variantes de mesmo conto básico, que é conhecido em diferentes partes do mundo. As origens dessas histórias são misteriosas, porque não há evidência alguma de inundação durante o período histórico. Essas lendas poderiam ser os vestígios, em nossa memória coletiva, de um evento cataclísmico sem o qual o homem não seria o que é?   

Falando mais genericamente, quase toda a criação de mitos contém a idéia de uma ruptura, de uma ocorrência que separa a condição primordial de uma final. A criação muitas vezes surge de uma metamorfose a partir da água. Em muitos mitos da criação um mergulhador da Terra salta nas profundezas da água, trazendo para a superfície uma pequena quantidade de terra. Nesses mitos a água aparece como a matéria primordial da criação, embora em baixo da água exista terra. Mitos desse tipo são notáveis na mitologia dos índios americanos, especialmente entre os Izumn.

Ainda no campo dos mitos, também é tentador fazer ligações com as lendas sumérias, babilônicas e mesopotâmicas, nas quais a civilização começou com as baleias. Supunha-se que as baleias ensinaram aos humanos o conceito de ciclos periódicos, como uma lei fundamental da natureza. Isso deve ajudar a resolver um mistério etimológico: por que uma palavra que significa "ciclo" (wheel) tem a mesma raiz que a palavra whale (baleia) em várias línguas, inclusive no inglês e em várias línguas escandinavas?

A crença de que a água foi o início de todas as coisas persistiu no ensinamento de Tales de Mileto, cuja filosofia marca a transição no pensamento ocidental desde as formas míticas até as especulações científicas a respeito da origem do mundo.

A probabilidade de o mar ter coberto uma parte do leste da África durante um período deve ser um elemento importante para se compreender o aparecimento do homem; pode ser também lima fonte dos mitos e das lendas transculturais. Isso sustenta à convicção cada vez mais vigente entre os evolucionistas de que o aparecimento do homem aconteceu mais rapidamente do que se pode imaginar. Isso acrescenta uma base poderosa às teorias de Alisler Hardy. E nos faz pensar duas vezes a respeito das limitações ele lima abordagem baseada exclusivamente em fósseis.

A Humanidade nasceu na água?

 

Vimos que a maioria das características que distingue o homem dos macacos podem ser interpretadas corno sinais de adaptação ao ambiente aquático. Chamamos a atenção para o fato de que o elo perdido provavelmente corresponde ao período em que o continente africano foi coberto pelo mar. Mas existe ainda um estágio a ser considerado, antes que a teoria aquática possa ser aceita corno urna base séria para reflexão e estudo. Esse estágio é o de ir e vir entre a terra e o mar, fenômeno comum e bem conhecido no processo de evolução.

Voltar para o mar é um processo evolucionário comum, que envolve pássaros, corno os pingüins, e répteis, corno os crocodilos e as cobras. Quando pensamos nos mamíferos que voltaram para o mar, cetáceos corno as baleias, os golfinhos e os botos vêm em primeiro lugar à nossa mente. Corno todos os mamíferos, eles são animais de sangue quente; respiram, desenvolvemse dentro do útero antes de nascer e passam por um período de amamentação. Em geral concorda-se que esses mamíferos voltaram para o mar cerca de 70 milhões de anos atrás e se originam de 2 ou 3 espécies terrestres diferentes.

É importante compreender que todas as ordens de mamíferos conhecidos têm primos na água. O peixe-boi e o manati são descendentes dos animais vegetarianos que têm cascos; as focas, os leões-marinhos e as morsas são descendentes dos animais carnívoros; os castores são primos dos roedores puramente terrestres. Então, por que é impossível que um primata seguisse temporariamente a mesma rota? Esse primata é o homem.

O homem provavelmente não é o primeiro primata a seguir esse padrão. Foi encontrado na Itália o esqueleto de uma variedade extinta do primata aquático, o Oreopithecus. Os ossos foram preservados porque afundaram na lama. Esse primata, adaptado à vida no pântano, tinha muitos pontos em comum com o homem, tais corno a pelve curta e larga e o cotovelo de quem anda em pé, bem corno a cara achatada.

Urna vez que a passagem entre o mar e a terra é possível em ambas as direções, e desde que algumas espécies animais são anfíbias, não existe razão a priori pela qual certos mamíferos que se adaptaram à água não pudessem voltar para a terra. Isso pode ter ocorrido com o elefante, que tem muitas coisas em comum com os mamíferos aquáticos. Ele praticamente não tem pêlo algum e tem membrana entre os dedos do pé. Na fêmea, a vulva fica tão voltada para a frente, que uma vez acreditou-se que os elefantes copulassem cara a cara. O pênis do elefante, como o da baleia, se retrai completamente numa bolsa especial na epiderme. A abertura de pele para as narinas fica acima dos olhos, como nos mamíferos marinhos (no elefante isso está escondido porque o canal de ar continua por baixo no interior da tromba). O elefante é um nadador excelente e expressa as emoções derramando lágrimas. No nascimento de um bebê elefante, existe sempre uma "tia": uma femea experiente que desempenha o papel de parteira. A presença de uma parteira pode ser um ponto em comum entre os mamíferos marinhos, os elefantes e os humanos.

Tentei ir além dos fatos conhecidos procurando descobrir se o cérebro do elefante tem algo de especial. Certamente, o neocórtex do elefante não é tão desenvolvido quanto o do golfinho. Mas o tálamo, a estrutura na qual os hemisférios cerebrais se alojam, tem muitos pontos em comum em ambas as espécies. Os núcleos intrínsecos, células nervosas que não recebem qualquer estímulo de fora e que se projetam sobre o córtex entre as áreas sensoriais, são particularmente bem desenvolvidos.

A base irracional de uma teoria

Pode-se afirmar que as bases objetivas e racionais das teorias aquáticas são sólidas. Mas quando () objeto de estudo de alguém é a gênese de sua própria espécie, de sua própria história, temos de ir além de qualquer base racional. Temos de fazer uso do lado irracional de nós mesmos para reforçar, ou enfraquecer, a aceitação de uma teoria. As teorias assumem um valor e um interesse maiores se são sedutoras, atraentes, fascinantes e se for fácil apegarmos-nos a elas por um ato de fe, antes mesmo de analisar cuidadosamente sua base racional. Glynn Isaac confessou em seu livro sobre a evolução humana. "Nossas crenças recentes a respeito da origem são, de fato, mitos substitutos, que são eles próprios em parte ciência, em parte mito. As pessoas querem estar livres para escolher suas próprias histórias de origem evolucionária. Tenha isso em mente ao ler este e outros relatos sobre a evolução humana".

Ao longo de seu desenvolvimento, um ser humano tem de reproduzir, ou melhor, de resumir, o processo de evolução, principalmente do período dentro do útero. É como se a história da vida estivesse gravada numa espécie de memória. Nosso comportamento irracional dá crédito à existência desse tipo de memória. Por exemplo, todos os mamíferos têm medo de cobras. Provavelmente em algum período remoto de nossa evolução havia uma luta impiedosa entre mamíferos e répteis. Pode-se eliminar esse medo de cobras nos primatas destruindo uma região muito precisa da parte primitiva do cérebro, onde se supõe que esse medo esteja gravado.

 

 

A teoria do macaco aquático é na verdade muito atraente.

 

Aparentemente isso é algo que Alister Hardy não previu de início c não levou em conta posteriormente. Ele apresentou sua hipótese pela primeira vez no clube inglês Sub-Aqua, em Brighton, e mais tarde escreveu: "Não esperava a ampla publicidade dada às minhas idéias na imprensa diária." Podemos imaginar que os jornalistas, que muitas vezes refletem a reação do público em geral, apoiaram com veemência a hipótese inicial. Mas Hardy escolheu não seguir essa teoria e preferiu se dedicar a pesquisa envolvendo as características da natureza humana que ele considerava mais importantes do que o passado aquático do homem.

Tive o mesmo tipo de dilema ao juntar as observações, informações e pensamentos que compõem este livro. Mas foi justamente por causa da atitude dos jornalistas e do público em geral que eu compreendi como este tópico é importante. Agora tenho uma visão diferente do ser humano. Uma tal concordância, uma tal harmonia, entre os pontos de vista subjetivos e objetivos é a pré-estréia de uma era radicalmente nova em nossa compreensão do fenômeno humano.

Um período de transição está começando. Estamos testemunhando um novo período no relacionamento entre os humanos e o mar, e entre os humanos e os mamíferos marinhos, simbolizado pelos golfinhos. A popularidade mundial de alguém como Jacques Cousteau, o sucesso de filmes de TV como Flipper, a criação de centros para o estudo dos golfinhos e o interesse no parto dentro d'água são sintomas do início desse novo entendimento do fenômeno humano. A nova era não precisa de teorias bem estabelecidas a fim de enraizar; uma forte base teórica dará a ela um poderoso empurrão para cima.

O início de uma conspiração

Os humanos sempre colaboraram com os animais. Cães pastores, cães de guarda, cavalos, renas, pombos-correio são todos exemplos conhecidos de animais que estão a serviço do homem. Há lendas gregas sobre golfinhos que salvam humanos, assim como inúmeras outras histórias de mamíferos marinhos trabalhando com os humanos. A marinha americana costumava t reinar golfinhos no golfo de Suez, para localizar minas.

Existe também a história de três focas chamadas Stanley, Razz e Sirius; elas foram treinadas para realizar operações de salvamento consideradas muito difíceis para os mergulhadores humanos. Mas até agora não houve nenhuma colaboração regular que beneficiasse tanto o homem como os golfinhos. Uma exceção a isso é o modo como os pescadores tradicionalmente trabalham com os golfinhos na Mauritânia. Os peixes são reunidos parcialmente pelos golfinhos e parcialmente pelos humanos. Em um lugar como esse, matar um golfinho é equivalente a matar um homem.

Quando Tcharkovsky deu a algumas mulheres grávidas a chance de nadar com golfinhos no mar Negro, tornou acessível uma nova era na colaboração entre espécies. De acordo com Tcharkovsky, é como se o abdômen de uma mulher grávida fosse transparente ao sistema sanar dos golfinhos. Ele acredita que os golfinhos podem estabelecer comunicação real com um feto humano, a ponto de ser capaz de passar adiante um pouco do seu conhecimento, ensinando-o a não ter medo da água. Parece que as fêmeas do golfinho têm particular interesse pelas mulheres grávidas e afirmou-se que elas eram até capazes de trazer os bebês recém-nascidos para a superfície num parto dentro d'água. Muitas pessoas podem duvidar disso. É difícil saber até que ponto a fantasia toma parte nos partos humanos assistidos por parteiras golfinhos. Nossa necessidade de lendas condiz com nossa necessidade de irracionalidade. Mas talvez um dia, graças a pioneiros como Tcharkovsky, seremos capazes de responder à pergunta: o que os golfinhos podem fazer com sua inteligência?

Não devemos esquecer que em eras passadas, os humanos nasciam perto dos animais. Cristo nasceu em um estábulo. Eu pessoalmente me interesso muito pela atitude dos gatos durante partos humanos. Eles parecem entender o que está acontecendo, mas dificilmente alguém os nota. O comportamento deles deveria ser usado como um modelo para as parteiras. Estas histórias de golfinhos assistindo partos humanos inspiraram projetos aquaticos, onde os golfinhos estariam envolvidos.  

O poder terapêutico dos animais é certamente muito conhecido. O companheirismo dos animais sempre foi considerado como o encontro de uma necessidade humana fundamental, uma condição necessária à manutenção do bem-estar. Os egípcios reverenciavam os gatos; os fenícios costumavam viajar COm seus gatos e cachorros; os romanos domesticavam doninhas. A pesquisa científica moderna mostrou que acariciar um animal diminui o ritmo cardíaco e diminui a pressão arterial. Um estudo comparou dois grupos de pessoas de idade avançada. A Um grupo foram dados periquitos australianos e ao outro plantas domésticas. As do primeiro grupo mostraram uma maior facilidade de fazer amigos, uma vida mais longa e maior capacidade de conversar. Num encontro da Associação Veterinária Mundial, em Montreal, foi apresentada a idéia de que é antinatural não ter animais de estimação.

Se estamos cientes do poder terapêutico da água, se estamos cientes efeito terapêutico do companheirismo dos animais e da relação especial entre humanos e golfinhos, levamos a sério certos projetos de centros aquáticos terapêuticas, onde é possível nadar com golfinhos.

O Dolphins Plus Center, em Key Largo, na Flórida, superou o estágio dos simples planos. A família Borguss, que tem grande experiência no cuidado de animais de zoológicos e no treino de animais para o circo, tinha seis golfinhos que foram treinados para shows. Decidiu então tentar um caminho diferente e pôs seus golfinhos numa profunda enseada artificial, em Um canal. De lá os golfinhos podiam voltar para o mar quando quisessem, mas estavam protegidos dos tubarões por uma barreira especial. Esse centro tornou-se um lugar onde as pessoas podiam nadar com golfinhos.

Logo depois, a família Borguss levou seus golfinhos para Kev Largo; eles foram reunidos por Retsy Smith, uma especialista em crianças autistas da Universidade da Flórida. Os adolescentes autistas agora podem entrar em contato com os golfinhos diariamente, tanto brincando com eles numa plataforma como entrando na água com eles. As primeiras observações foram promissoras: os golfinhos parecem ter a capacidade de estimular as crianças autistas a se comunicar.

Animais domésticos comuns, como cachorros e gatos, não se esforçam quando alguém é indiferente a eles; mas os golfinhos nunca desistem. Eles permanecem sempre amigáveis, cheios de graça, e até mesmo alegres. O Dolphins Plus Center também abriu suas portas aos doentes terminais, paraplégicos, quadriplégicos, amputados, a um grupo de cegos/surdos e cegos adolescentes. Pessoas que não conseguem superar a perda de uma pessoa da família, o contato com os golfinhos pode ter um efeito profundamente positivo, principalmente pela ajuda vir de outra fonte que não a de uma figura humana.

A experiência do Dolphins Plus Center confirma a poderosa atração mútua existente entre humanos e golfinhos. Os golfinhos têm particular interesse pelos humanos; as pessoas sempre foram fascinadas por golfinhos. Esta atração pode até ser sexual. Há estranhas histórias de casos de amor entre elementos de espécies diferentes .. A menos confidencial é a que ocorreu entre o francês François Xavier Pelletie e Koutta, uma golfinho fêmea jovem, de água doce, uma Platanista gangctica (golfinho do Ganges), numa piscina em Dacca. Pelletier conta essa história, em detalhes, em seu livro Balada para um golfinho sagrado (Ballade paul' un dauphin sacre).

Algumas pessoas estão convencidas de que os golfinhosde um modo difícil de imaginar - ajudam-nos a proteger o planeta contra a destruição. Há aqueles que acreditam que receberam mensagens de golfinhos. E em nome dos golfinhos, eles se atrevem a dizer algumas verdades sobre nós mesmos. Poderíamos estar na direção de uma conspiração homem-golfinho?

A comunicação entre humanos e golfinhos não deve ser encarada como um fenômeno novo. Durante milhares de anos, aborígenes do golfo de Carpintaria, no norte da Austrália, afirmam que mantêm uma comunicação direta com os golfinhos selvagens. Supunha-se que seus xamãs falassem com os golfinhos "de mente para mente", usando uma complexa série de assobios.

Há arquitetos da vida subaquática, como Jacques Rougerie, autor de Aquaspace (Universo aquático), ou artistas que se especializaram na relação entre o homem e o golfinho, como Louis Girault, Scott Thorn e Jean-Luc Bozzoli. O que esses homens têm em comum é o olhar voltado para o futuro: seu principal interesse é o destino do planeta. É significativo que tanto Cousteau como Tcharkovsky, que conhecem nossas habilidades aquáticas mais do que qualquer um, falem sobre o ser humano como um mamífero que deve voltar ao mar. Eles vêem um elo entre nosso potencial e nosso futuro, e não perdem tempo analisando o passado.

Quando dou conferências, algumas vezes falo sobre as teorias aquáticas das origens do homem. Esta teoria sempre atrai imediatamente um certo tipo de pessoa - jovem, interessado, pronto para construir uma nova era. Quando se é dotado de uma consciência humana, um interesse no futuro é um aspecto da sexualidade: somente os humanos podem expressar sua natureza sexual através de uma visão do futuro, que vai além de sua própria morte.

 

M.Odent