Na elaboracao do chamado psicograma, a prova de Rorschach intervém como recurso semiológico de significativa importância.
Desde 1935, m nosso meio, o Prof. Anibal Silveira, saudoso psiquiatra paulista, vem estudando o método legado por Hermann Rorschach para perscrutar os chama os "dinamismos psicológicos", aplicando-o na investigação dos processos mórbidos da esfera mental. É indispensável avaliar, com dados seguros, o potencial das condicoes mentais positivas q e ainda resta a cada indivíduo, de modo atenta, com métodos adequados, reintegrá-los, aos poucos, em suas funcoes sociais.
Na pesquisa da personalidade, assinala o Prof. Silveira, que em condições hígidas, quer envolvidas pelos processos mórbidos, o método de Rorschach constitui instrumento indispensável, pela soma de informacoes que propicia ao psicologista ou ao psiquiatra.
Graças ao método Rorschach, pode-se obter de cada individuo um psicograma que, bem interpretado, ga ante ao especialista urna compreensão dinamica da personalidade do examinado. Mas referida prova, assinala com justa razão Anibal Silveira, tem que ser manejada com rigoroso critério.
Bom senso, adequada orientação técnica e, principalmente, conhecimentos teóricos, tudo isto precisa possui o examinador, para aprender com segurança toda a riqueza que a prova pode oferecer. É preciso , pois, que todos aqueles que apliquem a prova em apreço estejam solidamente preparados para esta tarefa .
Não podem s, pela exigüidade de espaço, referir aos leitor s da Folha de S. Paulo, a técnica da elaboração do protocolo, a termino-logia e a interpretação da prova de Rorschach, em todas as suas minúcias. As respostas obtidas são reduzidas a sí bolos e abreviaturas, para a elaboração do psicograma que visa, no dizer de Rorschach, atingir as camadas profundas da personalidade humana.
A prova em apreço não estabelece diagnósticos em psiquiatria. O que ela configura é a estrutura da personalidade do indivíduo, sujeita ao processo mórbido ou, de algum modo, desviada dos dinamismos normais. É lógico que os resultados da prova devem ser somados ao exame clínico de um paciente, para se esta-belecer um diagnóstico psiquiátrico.
Acentua o Prof. Silveira, textualmente:
"Mesmo que seja quem aplica o Rorschach não lhe compete estabelecer tais diagnósticos, buscando-se apenas na prova. Poderá - isto é o que parece adequado - esclarecer que os desvios acaso surpreendidos no psicograma correspondem a dinamismos psicológicos que se encontram neste ou naquele quadro mórbido".
Quem se dedica a estes estudos de psicodiagnóstico necessita conhecer a psicologia e a psicopatologia, para não ficar, na expressão de Silveira, a merce de fantasias interpretativas, infelizmente hoje tão difundidas.
Através do psicodiagnóstico de Rorschach, pode-se avaliar o contato intelectual do probando com o mundo objetivo, isto é, com o meio externo.
Particular atenção mereceu na tese do Prof. Anibal Silveira o capítulo referente a elaboração do psicograma, cujos dados precisam ser colhidos de maneira sistemática. Conforme as respostas obtidas caracterizam-se, por exemplo, os "choques" afetivos, emocional e até "sinais" indicativos de lesões cerebrais.
A prova de Rorschach constitui na palavra autorizada do Prof. Anibal Silveira, excelente instrumento para pesquisas a dinâmica psicológica, podendo ser amplamente esquadrinhados os setores afetivos, conativo e intelectual, seja pelo prisma da psicotogenese, seja quanto as inter-relações harmónicas.
Trabalho de grande mérito, no qual relata urna longa experiencia vivida pelo seu autor, desde 1935, será ele de leitura obrigatória para psicologistas e psiquiatras interessados em des vendar os mistérios da personalidade humana.