Psicopatologia dos Animais em Cativeiro

Os animais, por mais inferiormente colocados que estejam na escola zoológica, não fogem a ação de estimulações as estas condições, em estado de alerta ou de emergência. Assim, na vigência de todos os estímulos do meio exterior, tais como variações da temperatura, de pressão, ventilação, luminosidade, etc., os animais apresentam respostas as mais variadas, possibilitando inúmeras e importantes verificações experimentais sobre aquilo que Selye conceituou sob a rubrica geral de estresse biológico.

Sabe-se, hoje, que a vida dos animais em cativeiro ou a domesticação de animais silvestres acarreta uma série de alterações no comportamento dessas espécies, as quais tem sido bastante estudadas no campo da psicopatologia animal. Os animais em cativeiro, refere Simões Júnior, estão sujeitos a sofrer e a exteriorizar profundas modificações nos seus hábitos e suas atitudes, em conseqüência de inúmeros fatores extrínsecos, destacando-se como um dos mais importantes a ausência de instalações adequadas, onde São mantidos. Tais perturbações são mais evidentes entre os animais silvestres ou mesmo domésticos, submetidos as novas condições de vida em cativeiro, do que entre aqueles nascidos e criados nos biotérios.

Tudo isto varia muito de animal para animal. Assim, os roedores e particularmente o rato adaptam-se com facilidade as mais variadas normas de cativeiro, podendo conservar, porém, através de muitas gerações, típicas reações do seu "habitat" primitivo. Para outros, a sensibilidade ao cativeiro manifesta-se de maneira tão intensa, que poderá levá-los a morte.

Simões Júnior, do "Instituto Biológico da Bahia", acaba de abordar este problema, ainda tão pouco valorizado, através de trabalho que reputamos para o nosso meio, de grande valor.

Dentre os "alarmógenos exógenos" apontados por Simões Júnior, devemos destacar o ambiente, a temperatura, a ventilação, a umidade, a pressão atmosférica, a luz e a obscuridade, os sons e ruídos, os odores e sabores, as instalações, etc. No grupo dos "alarmógenos endógenos" situam-se a fome e a sede, as carências alimentares, a atividade e o repouso, a dor, as infecções, as emoções e neuroses, o medo, etc.
Analisando a "doença do animal em cativeiro", comparável por Kreezer as "moléstias da civilização" do homem, diversos pesquisadores estudaram e comprovaram experimentalmente, em animais os mais variados, as manifestações decorrentes dessa situação, caracterizadas por sintomas que vão desde a apatia, emagrecimento e subalimentação, até o oposto, de irritabilidade, agressividade, hipertensão, etc.
O estresse, nos animais de laboratório, desempenha, pois, importante e ponderável causa de erro a ser considerada em qualquer experiência no qual eles estejam envolvidos.

A conduta do animal modifica-se por vez, profundamente, face aos alarmógenos já referidos. Simões Júnior refere que nos Estados Unidos, no Laboratório de Primatologia da Universidade de Wisconsin, sob a direção do Prof. Harlow, várias experiências nesse sentido foram realizadas em macacos enjaulados.

Apesar da grande acuidade auditiva e do extraordinário desenvolvimento da visão, a olfação ainda é o sentido mais acurado da grande maioria dos animais de laboratório. Assim, através dessa sensibilidade exagerada, sofrem eles os efeitos nocivos dos cheiros penetrantes ou odores desagradáveis.

A psicopatologia dos animais em cativeiro constitui, indiscutivelmente, tema dos mais importantes para todos aqueles que se preocupam principalmente com a organização de biotérios.