Sob a coordenação do Prof. José M. de Azevedo Netto e contando com a colaboração de ilustres engenheiros sanitaristas, o Fomento Estadual de Saneamento Básico, através da CETESB publicou em 1970 oportuno volume sobre desinfecção de águas. Resultou o mesmo de um curso intensivo promovido na Faculdade de Saúde Pública, pelo Departamento de Saúde Ambiental.
Para a desinfecção das águas de abas-tecimento em sistemas públicos, utiliza-se no Brasil apenas o cloro e seus compostos. Em São Paulo, a cloração das águas foi oficializada em 1926, reduzindo-se a mortalidade pela febre tifóide de mais de 50 a menos de 5, por 100.000 habitantes. Poderoso agente oxidante, o cloro possui evidente poder bactericida. A desinfecção pode ser o principal ou mesmo o único objetivo da cloração , quando a água a ser tratada não recebeu poluição . Mas, no caso de águas de qualidade inferior, a cloração pode ser usada com outros objetivos, além da desinfecção , apro-veitando a forte ação oxidante do cloro. Os métodos de cloração da água São qualificados de acordo com o tipo de resíduos presentes na água e estes depende m das reações do cloro com a mesma. Apesar da ampla utilização do cloro gasoso, existem determinadas situações nas quais o emprego de outros compostos de cloro, como por exemplo, os hipocloritos, pode ser mais desejável. Veja-se, por exemplo, o que se passa na periferia de São Paulo, onde a população utiliza freqüentemente água de poço, poluída.
A cloração contínua, diretamente em poços pode ser também levada a efeito submergindose recipientes especiais (cartuchos) com o desinfetante (cloramina, por exemplo). O Prof. Walter Leser, ex-Secretário de Saúde do Estado, preocupou-se bastante com este assunto e, atualmente, na Secretaria de Higiene e Saúde do Município ternos também nossas vistas voltadas para este problema.
Através de pastilhas de hipoclorito de cálcio ou de soluções contendo hipoclorito de sódio, desde que os produtos possuam boa estabilidade, com concentrações adequadas de cloro, pretendemos iniciar na periferia de São Paulo, com o auxílio dos postos de saúde do Município, uma campanha visando adicionar a água de poço, principalmente utilizada para as crianças, uma pastilha ou uma gota do produto a base de cloro para cada litro de água. Após 15 a 20 minutos, poderá a mesma ser utilizada, desde que o poder bactericida é evidente. A água clorada evita grande número de distúrbios gastrointestinais, com desidratação conseqüente. É preciso que os líderes e grupos da comunidade participem ativamente no desenvolvimento do programa de combate a desidratação, orientando a população no tratamento domiciliar da água.
O programa a ser desenvolvido irá atingir a população residente em áreas não servidas pela rede pública de abastecimento de água. O problema das diarréias infantis está relacionado intimamente com o tema em foco. Os dados estatísticos disponíveis mostram que o Brasil é o segundo país das Américas, com o maior coeficiente de mortalidade por diarréia. Dentro da mortalidade infantil, a diarréia figura como a primeira causa de óbito no Município de São Paulo, onde cerca de 50% da populaçao não é beneficiada por rede pública de esgoto.
Costuma-se dizer, com razão, que o coeficiente de mortalidade por diarréias infecciosas pode ser utilizado como um dos bons indicadores para medir o desenvolvimento social e económico de um país. Enquanto se tomam estas medidas, paliativas que sejam, nossas autoridades preocupam-se com a eliminação adequada dos excretas e águas servidas e no saneamento adequado das habitaçoes, con-tribuindo desta maneira para o desenvolvimento social e econômico do país. A solução aqui preconizada é provisória, mas de qualquer modo, se bem aplicada, ajudará muito.