Saúde e Doença em Sociedades Tribais

Acabo de ler, publicado pela Fundação Ciba e sob a coordenação de Philip Hugh Jones (1977), excelente livro sobre "Saúde e Doença em Sociedades Tribais", ou de grupos humanos "primitivos". O presente volume resultou de vários trabalhos apresentados em Londres, cm setembro de 1976, na sede da Fundação Ciba, por ocasião de um Simpósio dedicado aquele tema. Dele participou apenas um brasileiro O Prof. Roberto C. Baruzzi, da Escola Paulista de Medicina, colega dos mais ilustres e profundo conhecedor de toda a problemática indígena de nosso País.

A esta reunião estiveram presentes médicos, epidemiologistas e sociólogos, os quais, sob diferentes aspectos focalizaram as características das sociedades tribais e as profundas transformações que ocorrem quando é rompido o estado de isolamento ou de relativo isolamento em que vivem. Dentre os múltiplos problemas científicos e éticos discutidos, o mais importante, sem dúvida, foi o da conveniência ou não de contatar esses grupos humanos "primitivos", considerando-se de um lado o interesse e a curiosidade científica de nosso mundo e de outro os agravo s físicos e sociais que se seguem ao processo de contato, colocando, por vezes, em risco a própria sobrevivência desses grupos. Face aos resultados observados, em geral precários, duas questões assumem considerável importância:

1) está a ciência moderna ca-pacitada a oferecer a proteção devida a esses grupos "primitivos" face aos agravo s decorrentes do processo de aproximação e contato?

2) os recursos materiais e científicos disponíveis tem sido empregados com a intensidade e continuidade necessárias face a adequada proteção dos mesmos?

Essas e outras questSaúde e Doença em Sociedades Tribais

Acabo de ler, publicado pela Fundação Ciba e sob a coordenação de Philip Hugh Jones (1977), excelente livro sobre "Saúde e Doença em Sociedades Tribais", ou de grupos humanos "primitivos". O presente volume resultou de vários trabalhos apresentados em Londres, cm setembro de 1976, na sede da Fundação Ciba, por ocasião de um Simpósio dedicado aquele tema. Dele participou apenas um brasileiro ¬O Prof. Roberto C. Baruzzi, da Escola Paulista de Medicina, colega dos mais ilustres e profundo conhecedor de toda a problemática indígena de nosso País.

A esta reunião estiveram presentes médicos, epidemiologistas e sociólogos, os quais, sob diferentes aspectos focalizaram as carac¬terísticas das sociedades tribais e as profundas transformações que ocorrem quando é rompido o estado de isolamento ou de relativo isolamento em que vivem. Dentre os múltiplos problemas científicos e éticos discutidos, o mais importante, sem dúvida, foi o da conveniência ou não de contatar esses grupos humanos "primitivos", considerando-se de um lado o interesse e a curiosidade científica de nosso mundo e de outro os agravo s físicos e sociais que se seguem ao processo de contato, colocando, por vezes, em risco a própria sobrevivência desses grupos. Face aos resultados observados, em geral precários, duas questões assumem considerável importância: 1) está a ciência moderna ca-pacitada a oferecer a proteção devida a esses grupos "primitivos" face aos agravo s decorrentes do processo de aproximação e contato? 2) os recursos materiais e científicos disponíveis tem sido empregados com a intensidade e continuidade necessárias face a adequada proteção dos mesmos?

Essas e outras questões relevantes foram levantadas durante o Simpósio, dividindo-se as opiniões dos participantes, mas proporcionando apreciável material científico aos interessados. Foi apresentada a experiência com grupos indígenas da Austrália, Nova Guiné, Malásia, África e América do Sul, incluindo, ainda, habitantes de áreas gélidas, como os lap5es e esquimós. Como membro do Simpósio, o Prof. Roberto G. Baruzzi, da Escola Paulista de Medicina, relatou a experiência vivida pelos Kren-Akorore após o contato estabelecido no início de 1973, contato este tornado inadiável pela abertura próxima de urna estrada, seguindo-se a transferência posterior dos mesmos para o Parque Nacional do Xingu e as tentativas de adaptação ao novo meio.

Ilustra a capa do livro urna fotografia tirada em 1971 entre os índios Tsukarramae, do Rio Jarina, na parte norte do Parque Nacional do Xingu. A foto mostra o chefe do grupo indígena e um membro da equipe médica no esforço de se entenderem, apesar da barreira lingüística.

Transparece, pela leitura dos trabalhos apresentados, que o mundo civilizado ainda não se pode orgulhar de suas atitudes em relação as tribos isoladas, quer seja ameríndios ou aborígenes da Austrália e negros da África do Sul. Todos tem sofrido mortes, privações e degradações. O importante a considerar é que a aproximação com tais sociedades deva ser feito, mas de modo prudente e cauteloso, para integrá-los lenta e progressivamente em nossa sociedade.

es relevantes foram levantadas durante o Simpósio, dividindo-se as opiniões dos participantes, mas proporcionando apreciável material científico aos interessados. Foi apresentada a experiência com grupos indígenas da Austrália, Nova Guiné, Malásia, África e América do Sul, incluindo, ainda, habitantes de áreas gélidas, como os lapoes e esquimós. Como membro do Simpósio, o Prof. Roberto G. Baruzzi, da Escola Paulista de Medicina, relatou a experiência vivida pelos Kren-Akorore após o contato estabelecido no início de 1973, contato este tornado inadiável pela abertura próxima de urna estrada, seguindo-se a transferência posterior dos mesmos para o Parque Nacional do Xingu e as tentativas de adaptação ao novo meio.

Ilustra a capa do livro uma fotografia tirada em 1971 entre os índios Tsukarramae, do Rio Jarina, na parte norte do Parque Nacional do Xingu. A foto mostra o chefe do grupo indígena e um membro da equipe médica no esforço de se entenderem, apesar da barreira lingüística.

Transparece, pela leitura dos trabalhos apresentados, que o mundo civilizado ainda não se pode orgulhar de suas atitudes em relação as tribos isoladas, quer seja ameríndios ou aborígenes da Austrália e negros da África do Sul. Todos tem sofrido mortes, privações e degradações. O importante a considerar é que a aproximação com tais sociedades deva ser feito, mas de modo prudente e cauteloso, para integrá-los lenta e progressivamente em nossa sociedade.