Os spas nas terapias alternativas como a hidroterapia

O TAO DA MEDICINA

 

Quando você está doente, você precisa de uma mãe. E a água é um símbolo feminino, é o símbolo da mãe. Em seu livro A experiência feminina do sexo (Woman's experience ofsex), Sheila Kitzinger mostra uma foto de duas crianças tomando banho com a mãe, numa típica cena amorosa. É surpreendente que por todo o mundo a água sempre esteja associada à arte de curar.

Lembro-me de uma conversa com um amigo, um médico que era conselheiro do seguro de saúde nacional da França. Ele lastimava o fato de muitos médicos franceses prescreverem tratamentos em spas termais apenas para satisfazer seus pacientes, e tentava calcular o custo dessas prescrições para o sistema de segurança social francês. Em países como a França, Áustria, Alemanha Ocidental, Suíça, Iugoslávia e União Soviética, os serviços de saúde refletem a opinião pública e o benefício dos spas é reconhecido oficialmente. A despeito disso, a maioria dos médicos não leva os spas muito a sério. Esse amigo era um deles, e estava certo de que a maioria de seus colegas partilhava deste ponto de vista, recomendando spas somente "para agradar as pessoas", Aqui, novamente, a água se apresenta como um fenômeno Iranscultural, universal. Em todas as épocas e em todas as partes do globo as pessoas conhecem e usam o poder terapêutico da ;ígua. Somente o ensino médico moderno pode obstruir um  conhecimento tão profundamente cunhado nos seres humanos. Interessante é saber que os estudos mais convincentes sobre avaliação de eficiência dos spas foram feitos por companhias de seguro, notavelmente a Caixa Nacional Francesa de Seguro-Doença.

 

Os spas e a hidroterapia

 

É curioso que um fenômeno tão difundido como o spa não tenha inspirado maior reflexão. Uma lenda diz que no Japão uma garça branca guiou um deus viajante às famosas fontes quentes de Takaragawa. Os médicos tradicionais chineses sabiam como utilizar as fontes frias e quentes; os índios americanos sabiam das propriedades curativas das fontes quentes em Arkansas. Na Grécia antiga, os templos de cura dedicados a Esculápio, o deus da medicina, geralmente eram construídos perto de fontes, conhecidas por seus poderes .de cura.

A maioria dos lugares europeus onde há fontes medicinais era utilizada na época dos romanos. Bath, a famosa cidade no sudoeste da Inglaterra, era então conhecida como Aquae Sulis, que significa "águas da deusa Sul".

Na Idade Média, os padres da Igreja permitiam os banhos apenas com propósitos de higiene e saúde, o que sugere indiretamente as conotações eróticas dos banhos. Pode-se supor que os banhos também eram locais de encontro das pessoas. Isso nos lembra de como é artificial separar os poderes eróticos e os terapêuticos da água. Durante o século XVIII, a cidade belga de Spa se tornou o lugar de fontes medicinais mais elegante da Europa. Desde então, a palavra "spa" se tornou sinônimo de águas curativas.

Com os enormes avanços da farmacologia e da cirurgia moderna, alguns médicos julgaram que os spas desapareceriam. De fato o que aconteceu foi o oposto - mais uma vez, temas relacionados à água apresentam algumas contradições. Se, por um lado, os médicos ortodoxos continuam desconhecendo o poder da água e não compreendem a amplitude do fenômeno, por outro lado os spas se desenvolvem num âmbito sem precedentes por todo o mundo. Aix-les-Bains, Bains-les-Bains, Chateauneuf-les-Bains, Digne-les-Bains, Evian-les- Bains, Fumades-Bains, Gréoux-les-Bains - todas estas cidades francesas, orgulhosas de seus "banhos", concentram grande parte de sua renda pelo uso terapêutico de suas águas curativas. Pode-se também mencionar todas as cidades cujos nomes terminam em les thermes ou que incluem as palavras eaux ou a igues (água). Existem também lugares famosos associados à água, mas sem nomes explícitos, tais como Vichy, Vinel, Royat, La Bourboule e Bagnoles de Lorne.

Na Alemanha há inúmeras cidades cujos nomes começam com Bad ("banho"). Devem existir mais de 150 spas na Alemanha, e cerca de seis milhões de pessoas os visitam anualmente. Muito freqüentemente o preço do tratamento é coberto pelo sistema de saúde, o que permite que continuem existindo as terapias pela água - de antiga tradição nos países de língua alemã. No século XIX, o austríaco Vincenz Priessnitz, "o Demônio da Grafenberg", tornou populares os bidês. O paciente senta num hanho quente até a cintura, e então num banho frio. Deve ainda existir um grande número de spas na Alemanha que segue os princípios do padre Kneipp, um discípulo entusiasta de Priessnitz.

No Japão industrial moderno podemos ouvir pessoas falando sobre os onsen boom criados por um show de turismo na I devisão. Onsens são fontes quentes, e existem cerca de 2 mil delas no Japão, oferecendo todos os tipos de tratamento para o povo j;lpollês - e alguns também a seus animais. Nos Estados Unidos há mais de 300 motéis e pensões apelias no Parque Nacional de Fontes Quentes (Hot Springs National Park) , que juntos podem acomodar mais de um millao de visitantes todo ano.

O desenvolvimento das fontes quentes do mar Morto veio  com o rápido aumento dos centros de saúde e de hotéis. As propriedades mágicas do mar Morto, que em Israel é chamado de Yam HameIacb -"o mar de sal" , eram conhecidas há muito tempo. Certamente o mar Morto não pode ser comparado com qualquer outro curso d'água. Ele é um grande lago salgado, 400 metros abaixo do nível do mar, urna verdadeira armadilha solar com urna evaporação muito alta. Corno resultado, sua água contém sete vezes mais sal do que a do oceano, o mar Morto têm fama de oferecer tratamento bem-sucedido da psoríase e do reumatismo. O historiador romano Flavius sabia que os viajantes traziam sal do mar Morto por causa de suas virtudes terapêuticas. Atualmente, cristais de sal do mar Negro são comercializados pelas mesmas razões.

Os esforços da medicina moderna para tentar estabelecer a base científica dos efeitos dos spas não se comparam com a amplitude do fenômeno. Aqueles que tentam introduzir urna aparência de racionalidade em nosso entendimento de corno os spas funcionam, geralmente estão interessados apenas em coisas corno a composição dos sais ou gases minerais, a temperatura, a radioatividade ou algumas outras propriedades físicas, tais corno a densidade e a quantidade de lama. Todas estas propriedades químicas ou físicas dependem da origem da água e todos os tipos de água têm sua própria história. Algumas se originam das profundezas da terra e vêm brotar na superfície em aberturas.

Podem ser quentes, radioativas e conter gases raros (as fontes quentes, os gêiseres, pertencem a esse grupo). Outras se originam das profundezas da terra mas brotam perto da superfície. E outras, ainda, tendo se infiltrado no solo, permanecem superficiais.

Dependendo das diferenças na composição dos sais minerais, as águas de alguns spas são eficientes no tratamento da obesidade; outras no tratamento de doenças digestivas, cardiovasculares, doenças de pele, pulmão, rins etc. Entretanto, os raros estudos científicos dos efeitos fisiológicos dos banhos sugerem que o conteúdo mineral não é muito importante. Um renomado jornal médico publicou urna pesquisa sobre os efeitos clínicos da imersão nas águas de Bath. Depois de beber 400ml da água minerallocal, os pacientes passaram duas horas na água, a urna temperatura de 35"C. Amostras de sangue e urina foram colhidas e analisadas, e as variações de peso, quantidade de urina e diluição do sangue também foram avaliadas. Esse tipo de tratamento pode ter grandes efeitos fisiológicos, mas não houve absolutamente nenhuma diferença entre os efeitos da água de Bath e os da água comum de torneira.

Também é comum aos médicos atribuir os benefícios dos spas à mudança temporária no ambiente, a urna mudança no estilo de vida, e ao fato de se estar longe das preocupações diárias. Mas eles nunca falam sobre a água em si ou sobre o poderoso impacto dos símbolos sobre nosso estado emocional, e conseqüentemente sobre nossa saúde.

 

 

Talassoterapia

 

Os spas conservam seu fascínio e sua fama. Mas nos últimos trinta anos, mais ou menos, outras formas de terapia da água I ambém se desenvolveram. Urna delas é a talassoterapia, na qual o mar é usado para fins terapêuticos. Certamente não há nada de novo nisso. Quatro séculos antes de Cristo, Eurípedes alegava qlle o mar podia curar todas as doenças humanas. No século XVIII, o médico inglês Richard Russel elogiava as propriedades (1lrativas da água do mar. No século XIX, na França, urna velha 11dIl;Í sabia que a melhor maneira de se curar crianças com raquiI iSlllO era banhá-Ias no mar em Berck-Plage, que se tornou o Plilllciro centro de sol e mar.

O primeiro centro de talassoterapia foi criado em Roscoff, Grã-Bretanha, pelo doutor René Bagot, que seguiu os "ensinamentos de seu pai. A talassoterapia sempre me faz pensar na história de um moço que quebrou a perna num acidente  de carro, Enquanto estava no hospital, só pensava no dia em que começaria sua reabilitação num centro de talassoterapia. A palavra "talassoterapia" também foi popularizada pelo ciclista campeão Louison Bobet, que foi o patrocinador de um desses centros.

A talassoterapia conta com banhos de temperaturas diferentes, massagem, exercícios dentro d'água, jatos pressurizados de água, envoltórios de alga e até irrigação vaginal. Para racionalizar os efeitos da talassoterapia, faz-se uma analogia entre os minerais e os microelementos na água do mar, no sangue e nos líquidos extracelulares. Muitas vezes se verifica o processo de osmose, por meio do qual os minerais e os microelementos são absorvidos pela pele, especialmente quando a água foi aquecida à mesma temperatura do corpo. Uma verdadeira "talassoterapía caseira" - a absorção ou injeção de plasma Quinton - foi extensivamente usada na França por meio século, particularmente em bebês desidratados. O plasma Ouinton não é nada mais do que água do mar vendida em ampolas. Essa terapia era baseada originalmente nas famosas interpretações de Claude Bernard, que compreendeu que o mar está dentro de todos nós, introduzindo o conceito de milieu intérieur (meio ambiente interior).

É como se, pouco a pouco, durante o processo de evolução, as criaturas vivas transformaram o mar primordial de nutrientes em seiva, linfa ou sangue. Essa interpretação foi reforçada pelos experimentos de René Quinton. Depois de extrair 425g de sangue de um cachorro de lOkg, Quinton induziu um coma profundo no animal. Então o sangue foi substituído por água do mar diluída e cachorro se recuperou muito rapidamente. A água do mar também tem sido acondicionada em nebulizadores para tratar sinusite.

 

Outras hidroterapias

É impossível relatar todos os possíveis tratamentos com uso da água. Em qualquer época a água sempre desempenhou um papel importante nos tratamentos, de uma forma ou de outra. Banhos e compressas úmidas foram usadas por alguns psiquiatras e psicoterapeutas. Algumas terapias usam a imersão em  água para induzir e explorar estados profundos de regressão. Os "renascimentistas" entendem perfeitamente esse poder da água e alegam que uma regressão profunda é facilmente induzida com a ajuda da água.

Na França, a água é utilizada para ajudar autistas a se socializarem. Seria interessante comparar 0$ efeitos positivos da terapia da água em crianças autistas com os benefícios das "sessões holding", método usado por alguns terapeutas, como a doutora Martha Welsh, em Nova Iorque. Nessas sessões, a mãe segura seu filho autista por um tempo realmente longo e faz tudo o que pode para encontrar o olhar da criança. Assim a criança reaprende como se comunicar diretamente com sua mãe. No outro método, isto é feito por intermédio da água, símbolo da mãe. Então por não usar ambos os tratamentos com crianças autistas?

No Hanbleceya Therapy Center (Centro de Terapia Hanbleceya), na Califórnia, se faz uma imersão completa com um tubo de respiração a fim de induzir um estado profundo de regressão. Essa terapia, na maioria das vezes, é usada com psicóticos adultos.

Ainda mais incomum é a terapia regressiva movida pelo belga doutor Karl Ringoet - que é ao mesmo tempo um psicanalista e um instrutor de mergulho. Ringoet alegou ter curado esquizofrênicos com esta estranha combinação de psicanálise e mergulho (com aparelho para respiração subaquática). O paciente mergulhado é levado a um tipo de marquise dentro d'água que pretende ser uma grande imitação de um útero.

Alto-falantes dentro d'água produzem os mesmos sons que o feto provavelmente escuta no útero: o coração da mãe e os sons intestinais, a pulsação do cordão umbilical e a voz filtrada da mãe. De acordo com Ringoet, o paciente precisa aprender a se sentir confortável e a sobreviver dentro d'água.

Em Cagnes-sur-Mer, na Riviera francesa, Anne-Marie Sallrd usa um tipo de útero artificial como instrumento de terapia sala de Saurel é como um útero, na qual há uma banheira.

Enquanto a criança está na banheira, de preferência com sua mãe, a luz torna-se azulada e os alto-falantes transmitem tanto música de Mozart como a voz de sua mãe, filtradas de tal maneira que apenas as freqüências acima de 8 000 hertz emergem segundo o método de Alfred Tomatis. Tomatis alega que essas são as freqüências que o bebê pode perceber enquanto está no útero. No final da sessão, quando a criança mostra que quer sair do banho, muitas vezes senta-se no colo de sua mãe numa posição fetal, onde é acariciada, massageada e envolvida em toalhas quentes. Depois de um certo número de sessões como esta, se faz uma "liberação sônica", ou seja, os sons filtrados são interrompidos. Saurel observou que o comportamento da criança depois da "liberação sônica" dependia de como seu nascimento real havia sido.
Em se tratando do poder terapêutico da água, não podemos deixar de mencionar as jacuzzis. Candido Jacuzzi, um italiano que vive na Califórnia, foi um expert na dinâmica dos líquidos. Ele inventou a banheira com hidromassagem para tratar de seu neto, que sofria de artrite reumatóide. A jacuzzi é agora apresentada com um modo de "transformar seu banheiro inglês numa fonte Continental" ou "substituir a banheira doméstica por um spa caseiro". Este é um exemplo primário de como é artificial a distinção entre o poder terapêutico da água, o poder erótico da água e a água como uma substância utilitária.

As camas d'água se tornaram moda pela primeira vez nos Estados Unidos na época do movimento hippie, quando a liberação sexual era in. As camas d'água estão tendo agora uma nova onda de popularidade, pois alega-se que são boas para a coluna. Existem até camas d'água minúsculas, feitas especialmente para bebês prematuros.

O poder da água pode ser usado de maneiras sutis. Os cromoterapeutas recomendam um ambiente azul ou turquesa para induzir uma sensação de calma. Naturalmente, a água turquesa ou azul tem exatamente esse efeito. O poder curativo da areia é usado por alguns terapeutas, como Gisela Schuback De Domenico, na Califórnia. As crianças recebem um tabuleiro e jogos com areia, água e brinquedos pequenos. De Domenico alega que durante essa "ludoterapia" um número surpreendente de crianças evidencia a cura de seqüelas traumáticas que ocorreram durante a vida no útero e o período de nascimento. A areia como um símbolo não pode ser dissociada da água.

Em todo lugar, em todas as épocas, existiram infinitos modos para o uso do poder terapêutico da água, seja para o tratamento de doença, seja para cultivar a boa saúde. Existem ainda modos novos, adaptados à nossa sociedade atual.

Em São Francisco está se tornando moda ser um "aquatista", isto é, fazer freqüentes peregrinações aos "bares de água". O cliente senta-se numa poltrona-saco, assiste uma televisão muda que projeta imagens de ondas da praia, enquanto toma algum tipo de água, nacional ou importada. Num ambiente harmonioso, longe dos barulhentos clubes noturnos ou da vida tebril, pode-se escolher as águas de Vichy, na França, da Ferrarelle italiana, ou da Chinotto de San Pellegrino.

Uma equipe inglesa em Warwick está tentando aperfeiçoar uma terapia cujo objetivo é recriar as memórias do litoral. Os pacientes são encorajados a relaxar tomando banho de sol sob lima lâmpada infravermelha e ouvindo uma gravação de gaivotas cantando, o murmúrio das ondas e o som distante de crianças brincando. Uma combinação de odores - cheiro de peixes, algas marinhas, ozônio e um leve traço criterioso de poluentes _ Complementa o tratamento! Ninguém sabe qual será o futuro dessa terapia, mas o essencial é o lugar dado ao sentido do olfato, ao odor que permanece sob a superfície da consciência. Por que nao trazer esses experimentos para as salas de parto dos nossos hospitais?

Uma nova era médica

O poder da água nos ajuda a entender uma nova era medica, era em que as terapias serão cada vez menos específicas e o papel da medicina convencional se restringirá cada vez mais à salvação de pessoas em perigo.
O período da história da medicina que está quase terminando pode ser descrito como" nosológico", onde a prioridade é classificar doenças, dar nome a elas e distinguir uma da outra; em outras palavras, fazer diagnósticos. A conseqüência é que para cada doença existe um tratamento es pecífico. Uma doença é um desequilíbrio, comparado ao equilíbrio da saúde. A medicina convencional tende a substituir um desequilíbrio por outro, que é considerado mais confortável a curto prazo, e suprime os sintomas à custa dos efeitos colaterais. Esse tipo de medicina pode ser chamado de "alostática": trata da pressão alta com drogas antihipertensivas; do reumatismo com drogas antiinflamatórias, da depressão com drogas antidepressivas, e assim por diante.

A nouvelle medicine promove uma união entre os diferentes aspectos da doença. Em primeiro lugar, existe uma analogia entre as diferentes situações que criam uma doença. Uma situação típica que causa a doença é a submissão, ou o "desamparo e a desesperança". Isso é o que acontece quando, em face de algumas ameaças, tudo o que a pessoa pode fazer é se submeter. É impossível lutar ou fugir. Os sintomas e o modo como a doença progride vão diferir conforme a idade da pessoa, quando ela teve de encarar essa situação, quão intensa foi a experiência e quanto durou, assim como muitos outros fatores, incluindo os genéticos. Exemplos de situações que criam doenças: quando um bebê é separado de sua mãe; quando uma criança é educada numa atmosfera de moralidade rígida; quando um cônjuge é dominado pelo outro; quando uma pessoa perde alguém que ama; quando um prisioneiro é torturado, e assim por diante.

Existe uma certa similaridade entre os desequilíbrios criados por todas essas situações. Certos hormônios, tais como a hidrocortisona, são secretados em um nível alto. Certas trilhas metabólicas são particularmente vulneráveis às secreções desses hormônios - por exemplo, a trilha metabólica dos ácidos graxos insaturados, que levam à síntese dos reguladores celulares chamados prostaglandinas e desempenham um papel importante na formação das membranas celulares. O resultado é um desequilíbrio das três séries de prostaglandinas. Esse desequilíbrio é quase sempre sugerido de um modo: geralmente um excesso de prostaglandinas da série 2.

Do mesmo modo percebemos uma possível similaridade na maneira como as doenças são tratadas. A "nova medicina" considera tanto a doença, como o estado de desequilíbrio numa época de crise, e ainda a maneira de o corpo fazer um esforço para se curar. A nova medicina respeita esse equilíbrio especial, esse esforço para a cura, tanto quanto possível. É uma medicina "homeostática". Em primeiro lugar, ela faz o máximo para atender as necessidades criadas a partir de uma situação crítica, sem perder de vista algumas necessidades humanas básicas. Até a palavra "terapia" perde seu significado comum e conserva apenas seu signilicado original de "assistência". O objetivo é criar as melhores condições possíveis para superar a crise. A idéia de ter um diagnóstico exato antes de podermos fazer alguma coisa é jogada pela janela.

Aqui, por exemplo, vemos alguns conselhos, num livro escrito para quem sofre de esclerose múltipla: reduza o máximo possível o consumo de gordura animal (gordura saturada) e de outros processados. Consuma muitos ácidos graxos insaturados, a maioria de verduras e de sementes. Suplemente sua dieta com ,íridos graxos essenciais (contidos, por exemplo, no óleo de girassol e nos óleos de peixe). Tome vitaminas e minerais, como a vitamina C, vitamina B6 e zinco, que atuam como catalisadores lias principais trilhas metabólicas. Pare de comer açúcar etc., etc Este conselho nutricional também é totalmente relevante para as pessoas com desordens cardiovasculares, tensão pré-menstrual, , doenças da pele, artrite reumatóide, doenças virais, câncer, depressão, anorexia nervosa etc.

Chegou a hora de não separar essas doenças, mas de encontrar  o que elas têm em comum.
o ponto de partida dessa nova medicina homeostática é ter certeza de que as necessidades fundamentais foram consideradas. Tome como exemplo as necessidades sociais. Se o indivíduo não está integrado num comunidade, ele precisa de substitutos para as extensões familiares, tais como os grupos de terapia. Existem também algumas necessidades humanas básicas que são tão antigas quanto a humanidade, mas esquecidas - como a necessidade de cantar. O efeito terapêutico do cantar está sendo agora redescoberto.

A medicina homeostática compreende que certos estados emocionais, tais como a fé e a esperança, podem operar maravilhas por reverter os efeitos da submissão. A esperança e a fé podem inibir as secreções dos hormônios que bloqueiam a maioria das reações metabólicas. A medicina alostática é masculina, simbolizada por Esculápio. A medicina homeostática é feminina, maternal, simbolizada por Higíeia e Panáceia. Ela reconhece que numa crise a pessoa tem necessidade especial de uma mãe.

O ambiente terapêutico do futuro pode se tornar cada vez mais feminino. A era esculapiana da medicina não destruiu o poder terapêutico da água como um símbolo feminino. A água ajuda a pôr de lado as barreiras que separam artificialmente as diferentes doenças; isso também nos ajuda a entender a unidade entre os poderes eróticos e curativos da água.

A água tem poder terapêutico na medida em que é um catalisador da nossa necessidade de sobrevivência. A necessidade de sobreviver e o processo de cura são partes de uma mesma coisa. Do mesmo modo, a necessidade de sobreviver como um indivíduo não pode ser dissociado da necessidade de sobreviver como espécie: em outras palavras, não pode ser dissociada de Eros.

Fragmentos por M.Odent