A peste, doença infecciosa provocada pela Pasteurella petis, é uma zoonose de roedores, principalmente de ratas, e que se transmite aohomem geralmente através da picada da pulga - a Xenopsylla cheopis. A pulga "hóspede" de um rata infectada, que pode conter a cifra de 100 milhões de bactérias par centímetro cúbico de sangue, é capaz de absorver 500 desses microrganismos cm uma só picada. A mortalidade devida a peste é muito elevada entre os ratas e logicamente, grande número de pulgas infectadas encontrará outros hóspedes, sendo o homem sua vítima mais freqüente.
A forma mais comum é a bubonica, na qual se constituem os buboes (aumento de volume dos ganglios linfáticos) próximos a picada da pulga. A invasão do germe através do nariz ou da garganta conduz a forma pneumónica. Nos estados septicémicos, de evolução mais grave, a bactéria é isolada do sangue circulante. "Salud Mundial" (abril de 1967) dedicou um de seus excelentes números ao "império mundial dos ratos" .
Cerca de 30 peritos se reuniram em Genebra para estudar os meios de luta mais eficientes contra a ameaça dos ratos, assim como dos parasitos desses animais. Em suas conclus5es esses pesquisadores concluíram que a peste, a mais temível de todas das moléstias transmitidas pelos ratos, continua sendo um perigo real e que não pode ser esquecida. Assim, em 1966 notificaram-se 1.300 casos de peste com 134 óbitos, a maior parte ocorrendo no Vietnam. Estas cifras demonstram que o mundo vive sob a ameaça contínua de novos surtos desta zoonose.
Consideram-se como causas principais desse fato a urbanização acelerada, especialmente nos países em desenvolvimento e certa indiferença geral face aos perigos que os ratos e seus parasitas representam para a saúde do homem.
Além das moléstias que se transmitem ao homem, os ratos provocam perdas consideráveis de cereais, principalmente arroz, em todo o mundo. Roedores e insetos devoram ou destroem cada ano 20% das plantaçoes de cereais. A luta contra esses roedores se constituí, pois, em uma necessidade real e o homem dispoe de recursos para tornar esta campanha eficaz.
O rato tem sido com freqüência comparado ao homem, pela sua tenacidade, pela sua capacidade de adaptação e, principalmente, pela sua vontade de sobreviver. Dos inimigos do homem, o rato é o pior e, provavelmente o mais astuto. Em alguns lugares do mundo a populaçao de ratos é hoje mais numerosa que a humana. Assim, na Índia calcula-se em 4,8 bilhões de população de ratos para 472 milhoes de habitantes. Animal extremamente prolífero, um casal de ratos teoricamente poderá produzir cerca de 20 milh5es de descendentes ao cabo de 3 anos.
Em comparação com o rato, o homem é quase um recém-chegado a Terra. Consideram muitos zoólogos que o rato é, pelo menos, 50 vezes mais "velho" que o homem.
Na Europa a peste adquiriu um caráter de endemicidade que durou até o século XIX. Em Londres, os efeitos da epidemia de 1665 foram espantosos. Pepys & Evelyn falam de 10.000 martes semanais. Em 1720 a peste cruzou o Mediterraneo, da Síria para Marselha, e nesta cidade matou 86.000 pessoas. Em 1770 surgiu em Moscou, com 80.000 óbitos.
Vários foram os países que lutaram arduamente contra o "império dos ratos". Na Califórnia, em São Francisco, constituiu-se em 1908 uma verdadeira "Comissão Cívica" que lutou contra os ratos, conseguindo exterminar a peste. Em 1907 o Parlamento dinamarquês aprovou uma lei de desratização, sob a orientação de um engenheiro, o Dr. Zuschlag, que chegou a escrever um livro sobre o rato e a civilizaçao.
O homem, assinala "Salud Mundial" neste seu oportuno estudo, no curso da história, verificou a existência de uma verdadeira "sociedade de ratos" mais ou menos misturada com a "sociedade humana". Em maior ou menor grau observou também que a infestaçao de ratos representava séria ameaça para a saúde humana e para sua riqueza, mas infelizmente não soube apreciar com exatidão o alcance e a verdadeira gravidade desta ameaça.
Na campanha contra os ratos houve muita indiferença e até hostilidade aberta. Os "caçadores de ratos" (lembram-se os leitores do legendário flautista de Hamel que atraía os roedores com o seu instrumento) foram até ridicularizados pelo público. Todavia, hoje em dia ninguém mais poe em dúvida as liçoes da história: os ratos representam ameaça séria e constante a saúde do homem. Constitui um dever o seu combate, porque do contrário, a humanidade seguirá pagando a seu inimigo dois sérios tributos: a doença e a fome.