Tumor de Burkitt

Em novembro de 1958, Denis Burkitt, no "British Joumal of Surgery", descrevia na Uganda (África) um tumor particular, caracterizado pela sua localizac;;ao maxilo-facial, atacando principalmente crianças. No mesmo ano, J.N.P. Davies, baseado em exames histopatológicos, afirmava a natureza linfossarcomatosa de tal processo. Calculam esses dois pesquisadores que esta forma de tumor é a mais frequente em crianc;;as do Hospital Mulago, de Kampala, na Uganda.

Sabe-se hoje que os "tumores faciais" constituem apenas um dos aspectos clínicos da "moléstia de Burkitt", que também não afeta exclusivamente criancas na África intertropical. Assim, casos dessa afeccao tém sido descritos na França, Indochina, Nova Guiné, Brasil e Colombia, entre outros territórios.

A localizacao facial é bastante comum, com lesões ósseas extensas. Mais raramente, a doenc;a atinge outros ossos, os rins, as suprarenais, a tiróide e o coracao. Crianca africana apresentando um tumor maxilar, um tumor orbitário, um tumor abdominal ou mesmo uma paraplegia, deve ser suspeita de "mal de Burkitt", até prova em contrário. O diagnóstico clínico de verá ser completado e confirmado pelo exame histopatológico. Remissão espontânea do tumor de Burkitt ainda não foi observada. A quimioterapia (ciclosfofamida, principalmente) constitui sua terapéutica mais eficaz. A natureza hematopoiética desse tipo de tumor é admitida por todos os pesquisadores, a "célula tumoral" sendo indiferenciada ou pouco diferenciada; todavia, as interpretacões citológicas desse elemento celular divergem profundamente. Acreditam certos autores franceses que o tumor de Burkitt seja, na realidade, um sarcoma hemocitoblástico.

Como curiosidade, convém lembrar o vírus EB-3, iniciais decorrentes dos nomes de Epstein e Barr, isolado de um caso de Enfoma africano. Em 1961, Burkitt sugeriu a hipótese de um vector na transmissão do agente causal do tumor de Burkitt no grande grupo de doencas condicionadas provavelmente a fatores geográficos. Assim, tal entidade