Saúde indígena

 

 

 

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Observaçao dos programas de saúde atuais nas áreas indígenas do sul do Pará

Autor: Federico Beines

Introduçao

            O presente estudo surgiu da tarefa volutaria como médico clínico feita nas aldeias indígenas do sudeste do estado de Pará no mes de janeiro do ano 2005. O objetivo do trabalho, além do atendimento, é analizar os sistemas de saúde implementados por o modelo atual em Saúde Pública. Para isso nao se discriminarao as fortalezas e as fraquezas de um modelo a modo de critica, mas se explicará o funcionamento sublinhando os resultados das práticas correntes. Assim se tentará organizar os dados empíricos dos atores da saúde. A utilidade que essas práticas tem só serao analisadas desde o ángulo estrutural num contexto determinado, tendo como finalidade a contribucao ao desenvolvimento de tarefas na area da saúde.  


A FUNASA (Fundacao Nacional de Saúde) tem poucos anos na administracao da saúde indígena, sendo previamente questao da FUNAI (Fundacao Nacional Do Indio). Obtendo dados da influencia do modelo na concecao da saúde e doenca é como se orienta este trabalho para tentar uma contribucao a organizacao que tenha em conta as individualidades das etnias intervenientes.

O trabalho se inscreve no quadro das abordagems possiveis fazendo uso de ferramentas da antropología da saúde. O objetivo é demarcar as observacoes básicas que se precissam para comecar a tarefa na area da saúde: o paso previo a utilizacao dos dados históricos e antropológicos gerais duma etnia. Assim só se descreverá a informacao que pode se obter numa intervencao breve que considerar, porém, levando em conta a singularidade.

 

 

O cenário

 

O trabalho de campo foi realizado na APITO (Associacao dos Povos Indigenas do Tocantins), onrganizacao nao gubernamental que tem o convenio com a FUNASA para administrar a saúde dos grupos indígenas do sudeste do estado de Pará, no límite com Tocantins. O trabalho foi dividido entre as aldeias e o polo base da cidade de Marabá, onde existem duas “casas do indio”, lugar de alojamento para os doentes e acompanhantes que deixam as aldeias e vao se tratar na cidade, sempre por tempo limitado.

            Os municipios que entraram no estudo foram:

.Itupiranga, onde fica a aldeia Ororobá, do grupo indígena mestico Atikum.
.Canaa dos Carajás, tambem do grupo Atrikum, n’aldeia Canaí.
.Bom Jesus do Tocantins, com a aldeia Kyikateje, da etnia Gaviao.
.Sao Geraldo do Araguaia, onde fica a aldeia Sororó, da etnia Suruí.
.O polo base, onde consultaram pessoas das etnias anteriores e especialmente do grupo Xicrin, do municipio de Paraupebas.

 

Situaçao atual

 

O suleste do Pará nao é um area muito frecuentada pelos médicos e o pessoal Apos da APITO asumir a questao da saúde començaram os contróis de natalidade e mortalidade. As causas pelas que os indígenas morrem é comparável cada día mais ao que acontece nas cidades modernas: cardíacas e doenças crónicas como o cancer. Entao fica evidente que a saúde tem uma relaçao forte com a questao da identidade e os procesos da historia política da regiao. A intençao desse trabalho aquí fica ligada ao desenvolvimento de técnicas d’intervençao que podam ajudar tanto nos problemas individuales dos habitantes como
à recuperaçao da identidade como motor da prevençao e sostenimento da saúde coletiva. Para isso é necessario desenvolver observaçoes gerais do modelo atual assim como é preciso descrever as intervecoes puntuais: o que cada caso da experiencia pode encinar sobre a abordagem da doença culturalmente específica.
 

Descriçao do modelo

 

Cada aldeia tem um posto de saúde e um agente indígena de saúde permanente. Alem disso a APITO envia um auxiliar de infirmagem quem reside na aldeia e que muda cada vinte dias. Os outros profissionais da saúde sao: laboratoristas, biomédicos, uma odontóloga, enfermeiras e funcionarios da FUNASA especializados em diagnostico da malária. Eles combinan em um equipe que sai vinte dias ao mes para brindar assistencia.
As aldeias ficam em contato permanente com a APITO por meio da comunicacao radial, no caso que seja precisso mandar trazer algum doente o alguma emergencia das areas indígenas.

Apresentaçao do problema

 

Começaremos dizendo que os povos indígenas do estudo estam em diferentes etapas d’aculturacao ao respeito da medicina tradicional, praticamente abandonada ao adotar os modelos da medicina moderna ou “branca”, como eles chamam.

A ideia nao é analizar quao rescatado se acha um antigo modelo, mas sim estudar as variáveis que fomentam uma diversidade de condutas de dependenca, segundo o grau de aceitacao ao modelo proposto pelas entidades intervenientes. Elas sao, além das ONGs como a APITO e a FUNASA, empresas privadas que tiram beneficios das áreas indígenas, que elas trocam por financamento de alimentacao e saúde. Um exemplo disso é a participacao total da Eletronorte e da Vale do Rio Doce no sul do Pará nas necessidades das aldeias. Nos casos analizados só terá relacao esta última empresa.

Entao nos dividiremos a acao em saúde em:
a) dependença d’entidades oficiais exclusivamente
b) dependença d’entidades oficiais e particulares

Nos casos que a empresa paga todos os gastos (Xicrin e Gaviao, pelos minerais tirados das áreas) a APITO e a FUNASA tem tambem a administracao dos recursos. Nos outros (Atikum e Suruí), todo o financamento provem do Estado –e os recursos tercerizados.

 

O atendimento

 

O atendimento junto com o médico é excepcional, pelas condiciones de dificil aceso na área e os problemas de financiamento. Tudas as aldeias tem um médico auditor dela Vale que concurre um dia ao ano. Aldeias como Ororobá, a 250 kilomentros de Marabá, passam anos enteiros sem visita do médico. As mais afastadas (dos Xicrin) ao ter financamento consiguem voos cada vez que tem alguma urgencia.
A assistencia médica foi realizada em beneficio de 149 indios que concurriram ao posto de saúde (com excepcionais visitas domiciliares) e os que solicitaram o atendimento no polo base.
Segundo as demografías do ano 2003, a aldeia Kyikateje tinha 176 habitantes  (atendidas 26 pessoas); a aldeia Sororó tinha 255 (atendidas 54); Canaí contava com 46 habitantes (atendidos 16) e Ororobá com 56 habitantes (atendidos 20). Na APITO foram atendidas 4 pessoas de Canaí, 7 de Guajanaíra (aldeia Guajajará do municipio de Itupiranga), uma de Sororó, uma de Ororobá e 19 Xicrins. Desses últimos, a populacao oficial do ano 2005 é de 854 habitantes. O total demográfico consultante foi entao de 1412 pessoas (tendo em consideracao os 25 indios Guajajara).
Nao aconteceram óbitos nem nascimentos durante o periodo de trabalho.

 

Observaçao direta do funcionamento do modelo

O centro d’atençao do estudo reside na observacao sobre as conceiçoes que os indios mostram da medicina branca em suas reacoes as indicacoes. Ao mesmo tempo existe uma resposta interpretativa dos efetores da saúde que condicionan o trabalho, por exemplo “o indio é desobediente”, “eles nao tem conscienca de doenca”, e “nao comprendem a importancia da higiene”. Apos da analise dos casos individuales é que mostraremos que na adequacao do modelo “moderno” ao discurso indígena –que tenha em conta nao tanto a medicina tradicional, questao complicada, e sim com o modo de vida e questoes mais simples, produtas da observacao- constitui a manera de chegar a populacao sem perder o recurso capacitado em saúde, que ve em o fracaso duma indicacao, curiosamente, um fracaso de causa nos beneficiarios.
Nao é possivel estabelecer uma geralidade de relacao a medicina branca pois é diferente segundo os atores: por exemplo é frequente que os auxiliares de infirmagem, que sao quem estao mais tempo en contato com os indígenas, supermediquem qualquer quadro segundo uma lista que o auditor da Vale deixa nas visitas, nas quais coloca uma sintese das sintomatologias que podem acontecer. Ao contrario existem casos em que a falta de alarma “sai dos indios” mas é claro que parte duma atitud de desconfianca no auxiliar, quando eles chamam pela radio uma ambulancia em urgencias que tem em realidade, as vezes, uma evolucao de 10 dias. En nenhum caso existe um castigo dos erros na pratica, por nao existir uma instancia de supervisao.