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Saúde mental: história "ao vivo"

 

Por qué é tão diferente a saúde mental no Brasil do que na Argentina hoje? Tentaremos responder a isso com uma experiência "ao vivo" que tem lugar hoje na Argentina.

Introdução

Tanto na Argentina como o Brasil tem um inicio da historia da institucionalização da loucura com a hospitalização por parte da beneficiença. A influencia das ordens de Sao Vicente de Paulo e outras que provem da Europa dão um marco referencial para a burguesia local atuar sobre aquilo que não deve andar livre pelas ruas nem ir para a cadeia.

No Brasil teve um percurso diferente, sendo breve, tal vez graças a um complexo panorama político e económico que formou uma verdadeira "industria da loucura". Esse sistema ja tinha ganhado muitas batalhas a favor das instituções de caráter manicomial, gerando leitos em clínicas particulares e públicas.

Quando os profissionais reagiram ante os excesos da ditadura militar, as denuncias viraram movimento social.

Aa admnistração do territorio fiz a diferença mais importante. A estrategia foi então a municipalização dos serviços de saúde mental, deixando mais facil a empresa de administrar recursos segundo as necessidades locais.

Algumas diferenças que aparecem numa comparação apressurada entre Brasil e Argentina podem resultar artefatos duma visão puramente histórica. Isso levaria a achar oposições ou divergências, sem considerar a lógica social subjazente nem as especificidades geográficas. 

Na Argentina

a única tentativa de fechamento foi feita por um ministro de saúde Lombardo que não colocou uma resposta alternativa, nem residencias terapéuticas nem mudança dos sistemas de atendimento: só apertura de manicomios no interior de Buenos Aires e mudança dos pacientes. Foi o ministro que demitiu junto com o presidente De la Rúa, na crise do ano 2001. Essa foi uma crise economico-social que atingiu também à clase media.
Uma secretaria de saúde mental da cidade de Buenos Aires foi criada apos da lei 448, que fiz até hoje a criação de plantões de psiquiatria e psicologia em todos os hospitais e colocou psicólogos em 40 centros de saúde da cidade, que trabalham em programas de atenção primaria. Os psiquiatras não ficam lá: só nos hospitais, porque são, segundo a lei, profissionais do segundo nível de atenção.

Hospital Tobar García, Buenos Aires, Argentina

Bemvindos à atualização sobre o único hospital psiquiátrico do mundo que se acha hoje em processo de amplação. É precisso seguir a historia para comprender os processos  de construção de conhecimento paralelos as formas de inclução e exclusão sociais.


Os leitos de internação não vão ser acrecentados , segundo o pessoal dos serviços, porque não  vai ter um aumento do recurso humano. Só algums leitos de observação, que não tinha antes e toda pessoa que chegava na emergência só podia ser internada.

É a ideia geral também nos outros serviços, a de manter o volume de pacientes semelhante ao anterior. Mas a ideia tem que se misturar ainda com a lógica da instituição manicomial, que dictamina sempre volumes maiores de exclusão. O desafío entre a ideia de manter contra a evoluição histórica que indica uma expansão, é ao mesmo tempo fascinante e invisível:  protagonista nenhum está interessado no destino das idéias manicomiais.


O que segue é uma cronologia dos aspectos arquitetónicos na evoluição do hospital que possa nos iluminar os processos de mudança nas práticas sociais.


21 dezembro 1968
:  fundação do primeiro hospital psiquiátrico de crianças em Sudamérica. O prédio ia ser uma escola de enfermagem. Por isso as enfermarias ficam nos quarto e quinto andares, separados por sexo.


1980
: A escola do terceiro andar muda para um predio ao lado do Tobar García. O espaço é adatado para fazer uma pequena enfermaria: para crianças menores de 12 anos.  


2005: começo das gestôes de investimento de dinheiro no hospital.  Aprovação para final do ano. Nenhum profisional do hospital trabalha nos projeitos, que concorrem pela licitação.


Dezembro 2005: a empresa que perde a licitação pede impugnar a aprovação da outra empresa, que tinha apresentado um projeito mais barato. Tudo fica atrapalhado nesse ponto. Tem reuniôes entre os funcionários municipais encarregados do planejamento junto com os profissionais do hospital. A informação desgosta  aos profissionais, que já tinham planejada uma mudança das práticas.


Fevereiro 2006: Difusão mediática da falta de aprovação do projeito de amplação do hospital, com a possível perca do dinheiro que o hospital tinha obtido.


Março 2006 : Começa a obra da primeira amplação do hospital.
2006: A construção avança de forma alheia. Ninguém do hospital tem participado no planejamento da obra, que va fechando diferentes lugares do prédio de repente, sem avisar, de um dia para o outro. Os profissionais escrevem uma carta pidindo ter algumas consideraçôes que ninguém sabe se vão ser incluídas. Em primeiro lugar fazem menção à falta de espaços verdes para os pacientes, porque o novo prédio foi construido no antigo parque. Por útlimo pedem um sinal e um bar cantina para profissionais.
A enfermaria de mulheres pega fogo. Ninguém de fora é avisado da situação, o incêndio não aparece nos jornais nem na televisão. A aglmeraçao aumenta.


2007 O ritmo da obra diminui. Já deveria ter acabado, mas falta bastante. O plan de mudança inclui, no primeiro lugar, mudar os pacientes internados, aglomerados.
Opiniôes. Ninguém foi ver a obra, porque não é permitido para o pessoal estranha à construção. Muitos opinam que é precisso conhecer o lugar aonde vão trabalhar para poder fazer projeitos. Todos esperam com otimismo a apertura, achando que a amplação é boa, que vai amelhorar as condicioes de trabalho e de vida para as crianças. Ver para creer.
Ninguém questiona o fato de amplar um manicômio.

12 de junio de 2007: Os profissionais descobrem uma porta para entrar na obra. Porém, poucos deles entram para enxergar, criticamente. Pela primeira vez chegam a saber que o novo lugar de internação fica no fundo, por um corredor bem cumprido, de quase 100 metros. O que não fica mais comfortável que antes nos andares -embora sim mais seguro.

 

Novo hospital

 

Uma troca de planos


O planejamento incial incluia a farmácia bem perto da entrada do hospital. Mas em junho já tinha a decissao de trocar esse espaço para psiquiatria preventiva, que antes tambem estava perto da entrada. De todo jeito da para imaginar como é o tamanho esse serviço: como a sala que ia atender os pacientes que pedem medicamentos.
No dia 14 de junho os profissionais dum serviço organizam um percurso pela obra, para saber onde é que vao trabalhar.
Como é o novo hospital? Embora seja um prédio novo, a cor é cinza. Não tem muita luz.


Internaçao


Tem muita relevancia os dispositivos de observaçao: muito vidro, desses que não quebram em pedaços formam quase a parede toda dos quartos; camaras Gessell em cada enfermaria foncionando como quartos de isolamento para violentos.
Cada enfermaria tem 6 habitaçoes de 2 camas cada uma.
Uma enfermaria de crianças pequenas, uma de puberes (ambas masculinas); uma enfermaria de adolescentes mulheres (junto com pequenas e puberes) e outra masculina.

Para partilhar com outros serviços
Uma academia de altissima tecnologia e muito grande, que tenta resolver a falta de espaço para andar para os pacientes –segundo um médico, para os que ficam gordos com os novos antipsicóticos.
Hospital de día
Uma sala de brinquedos de 4,5 metros por 8 com outra mais pequena.

 

Maio 2008

 

Pela falta de securidade, os grêmios e os enfermeiros nao querem fazer a mudança. Depois da intervençao da justiça para a inauguraçao, ninguém quer finalmente abrir o novo hospital.

 

Junho 2008

O novo Hospital abre as portas finalmente, depois de muita história... O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, fala que vai desabar os edifícios da area para fazer um novo centro civico. Mas é ele que vem a inaugurar o hospital, tem muita festa. Promete que o Tobar García vai ser o único em nao ser desabado.