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Alcoolismo

 

O alcoolismo, grave problema medico - social, e uma toxicomania, definido já em 1856 por um medico sueco - Magnus-Buss para designar os sinais e sintomas físicos e psíquicos surgidos pela excessiva ingestão de doses elevadas e por tempo prolongado de bebidas alcoólicas. A Organização Mundial de Saúde assim apresenta as definições de alcoolismo e de alcoólatra.

Alcoolismo e uma doença de natureza complexa, na qual o álcool atua como fator determinante sobre causas psicossomaticas preexistentes no indivíduo e para cujo tratamento e preciso recorrer a processos profiláticos e terapêuticos de grande amplitude. Alcoólatras são bebedores excessivos, cuja dependência ao álcool chega a ponto de acarretar-lhes perturbações mentais evidentes, manifestações afetando a saúde física e mental, suas reações individuais, seu comportamento socioeconômico ou pródromos de perturbações desse gênero e que, por isso, necessitam de tratamento.

Na abalizada opinião de J. B. Albuquerque Fortes (Alcoolismo, São Paulo, Sarvier, 1975), mais importante que discutir definições e conceitos rígidos e deixar bem claro o que representa maior perigo para a população: o uso de álcool diariamente, mesmo em pequenas doses, e o que conduz maior numero de vítimas ao ingresso na imensa legião dos alcoólatras crônicos.

Jellinek define o alcoolismo como o uso de bebidas alcoólicas que ocasiona prejuízos ao indivíduo, a sociedade ou a ambos.

A motivação para ingerir álcool pode estar radicada em fatores de ordem biológica, psicológica ou social, observando-se mais comumente a concomitância desses diversos fatores entre si.

O álcool compromete severamente o organismo humano. o fígado, o pâncreas, o rins, o aparelho respiratório, o sangue e tecido hematopoietico, o aparelho reprodutor, a musculatura esquelética, as glândulas endócrinas e o sistema nervoso central pagam elevado tributo a ação deste tóxico. A embriaguez fisiológica pode ocorrer acidentalmente, acompanhada de hipoglicemia que a patológica caracteriza-se pela desproporção entre as pequenas quantidades ingeridas e a riqueza de manifestações na esfera psíquica. Surgem, assim, desde logo, exaltação de tendências agressivas, anti-sociais e impulsividade sexual. Fato interessante a registrar e a amnésia do paciente em relação aos fatos ocorridos durante o episódio.

O alcoolismo crônico, assinala Fortes (1975) representa o contingente mais numeroso de pacientes e contribui para considerá-lo como grave problema medico - social, ao lado das demais toxicomanias.

Não e fácil o tratamento do alcoólatra. No entanto, quando o mesmo e bem conduzido, consegue-se recuperação de ate 50%. Segundo a opinião de Fortes (1975) devemos distinguir no tratamento do alcoólatra três fases distintas: o biol6gico, a sua hospitalização e a psicoterapia.

A participação de grupos religiosos na luta antialcoólica e condicionada por aspectos particulares da cultura de cada país. Extraordinário passo foi dado na luta antialcoólica com a introdução, no Brasil, dos "Alcoólatras Anonimos". A participação religiosa-espiritual e também de suma importância. "Se o seu problema e beber, o problema e seu; se e deixar de beber, o problema e nosso", afirmam os dirigentes do movimento dos "Alcoólatras Anônimos".

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