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A febre amarela

 

Tratar da febre amarela e historiar com elogios a Medicina brasileira. Graças aos esforços de colegas patrícios, a febre amarela foi admiravelmente estudada sob o ponto de vista anatomo-clínico e experimental.

Miguel Couto, Azevedo Sodre, Zeferino Meirelles e Sinval A. Lins foram os grandes clínicos que, no passado, descreveram esta virose, erradicada em nosso meio, na sua forma urbana, graças aos esforços de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro e Emílio Ribas, em São Paulo. A descoberta de surtos desta infecção em zonas sem Aedes aegypti estabeleceu o conceito da febre amarela silvestre, observada inicialmente por Soper, em 1932, no Vale do Canaan (Espírito Santo).

No X Congresso da "Sociedade Brasileira de Medicina Tropical", realizado em Curitiba, de 3 a 6 de fevereiro, o tema "Febre Amarela" foi amplamente ventilado e isto porque ocorreram, em 1972 e 1973, casos desta virose no Estado de Goiás, em vários de seus municípios, desde casos benignos ate formas fulminantes e fatais. Fato dos mais interessantes e que nas áreas afetadas não foram encon­trados mosquitos do gênero Aedes e sim, Haemagogus e Sabetlzes, norrnalmente encontrados como transmissores da chamada febre amarela silvestre.
o Prof. Aluízio Prata, de Brasília, estudou cerca de 90 casos, diagnosticados 47 soro­logicamente e 43 pelo exame histopatol6gico (lesão de Rocha Lima).

Formas clinicas diversas foram encontradas, desde manifestações assintomáticas ate casso graves, esses últimos quase sempre fatais, com icterícia intensa, estado comatoso em 50% das observaçoes registradas, pulso bradicardico, febre elevada, melena, leucope­nia etc.

Dos 45 casos graves, morreram 43,0 que revela a gravidade da virose. Não foram encontrados macacos nem marsupiais na região, como eventuais reservat6rios do vírus.

O que desejamos destacar e a ausência do Aedes aegypti, como transmissor da enfiação amarílica em tais casos. Podemos, então, admitir a eventual possibilidade de que o cicio da infecção tenha se processado do homem ao vector e deste ao homem. Em lugares isolados, cuja densidade populacional e reduzida, pode-se admitir a possibilidade de que os casos humanos sejam ate certo ponto "acidentes" no decurso de uma epizootia (macacos, marsupiais e eventualmente roedores).

Também desejamos destacar e que, graças as medidas profiláticas adotadas, representadas principal mente pela vacinação, houve o controle dessa microepidemia. Mister, se faz intensificaçao desta vacinação em tais zonas, ao lado da prática da viscerotomia que parece ter decrescido, constituindo-se também em medida vez, faz o seu surto, existindo a mesma sob forma enzo6tica natural.

Face ao que foi discutido no Congresso de Curitiba, não podemos mais afirmar que a febre amarela foi totalmente erradicada do país. E necessário que principal mente a população de Goiás e Malo Grosso (onde foram descritos outros casos), principal mente nas áreas onde ocorreram tais observações, se proteja ativamente com a vacina especifica (vírus 17D, cultivado em ovo embrionado). E mais um problema a se levantar no panorama sanitário do país, merecendo a cuidadosa atenção de nossas autoridades  (...)